Trabalho integrado seria melhor estratégia para combater alta de crimes contra o patrimônio em Minas

Hoje em Dia

Trabalho integrado de identificação e combate a receptação e venda de produtos roubados são algumas das estratégias destacada por especialistas na tentativa de diminuir o número de roubos no Estado. Segundo dados da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), nos oito primeiros meses de 2016 houve uma elevação de 18% na prática de roubos em Minas Gerais, configurando média de 362 crimes por dia.  
O coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolítico da PUC Minas e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Robson Sávio, analisa que os números referente a roubos no Estado e na capital mineira refletem a oportunidade que criminosos tem para cometer este tipo de delito. “Crimes contra o patrimônio são sazonais, ou seja, depende da oportunidade, da vítima em situação vulnerável e até mesmo o tipo de produto a ser roubado. Se terá um valor no mercado negro”, explica.
Ainda de acordo com Sávio, a grande dificuldade de diminuir este tipo de delito está na complexidade de identificar as quadrilhas que fazem a receptação e a venda de produtos roubados. “Infelizmente a polícia atua apenas na repressão. É preciso um investimento na prevenção para assim evitar a migração de crimes”
Políticas Públicas
Na avaliação do presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Minas Gerais (AOPMBM/MG) e especialista em segurança pública, tenente-coronel Ailton Cirilo da Silva, a falta de políticas públicas contribui para o crescimento de crimes contra o patrimônio. “Um conjunto de fatores como um órgão de investigação forte, um judiciário que dê uma resposta rápida e eficiente aliada a políticas públicas como oportunidades de educação, saúde, geração de emprego e inserção social ajuda a diminuir os grupos envolvidos em criminalidade”, reforça.
O especialista ressalta que a sensação de impunidade também favorece a prática deste tipo de crime. "Grande parte dos delitos são considerados pela justiça de menor potencial ofensivo", explica. 
Números
Neste ano, o Estado registrou 87.035 ocorrências de roubo nos oito primeiros meses. No ano passado, no mesmo período, foram 73.290 crimes. Em Belo Horizonte, 31.306 pessoas tiveram o bem roubado contra 27.138 assaltos computados no mesmo período do ano passado.
A especialista em gestão de segurança pública da Polícia Militar, coronel Cláudia Romualdo explica que todos os trabalhos de prevenção são realizados pelas polícias. "As patrulhas e a identificação de áreas de vulnerabilidade são constantes. O serviço de inteligência também ajuda a identificar  a tipificação dos crimes contra o patrimônio, o que melhora a estratégia de atuação da polícia". 

Romualdo reforça também que a participação da comunidade ajuda os órgãos de segurança a identificar os envolvidos neste tipo de crime. “A participação da comunidade é fundamental. A denúncia das vítimas nos possibilita a análise do tipo de crime, os envolvidos e quais serão as estratégias que podem ser adotadas para evitar o crescimento deste tipo de delito”.