Segurança eletrônica no país deve crescer 6% este ano

EQUIPAMENTOS - Entre as novidades do setor de segurança eletrônica está uma central de alarmes
 
Hoje em Dia
 
Ao contrário da maioria dos setores da economia brasileira, a segurança eletrônica deve crescer em 2016, e o número não é pequeno. A projeção é de 6%, o que representa menos da média verificada nos últimos cinco anos, que foi de 9%. Mas no entanto, é muito maior que o Produto Interno Bruto (PIB) projetado para este ano pelo Boletim Focus, do Banco Central, que aponta um decréscimo de 3,22%.
De acordo com a Associação Brasileira de Empresa de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), o setor encerrou 2015 com um faturamento de R$ 5,4 bilhões e pode fechar este ano com R$ 5,7 bilhões. Na distribuição nacional do mercado de sistemas eletrônicos, Minas Gerais representou 8,5% em 2015, quando as empresas faturaram cerca de R$ 460 milhões. Para este ano, deve alcançar R$ 486,5 milhões.
A presidente da Abese, Selma Migliori, avalia que o crescimento não está relacionado diretamente à criminalidade, mas a uma tendência do brasileiro em proteger o patrimônio. “Quando o Brasil não passava por essa crise econômica, tínhamos um crescimento de 10% ao ano, em média. Na verdade, esse crescimento se deve ao fato de que os valores (dos equipamentos) ficaram mais acessíveis”, garante a presidente.
Apesar de no Brasil não existir a cultura de prevenção à criminalidade, ela avalia que o cenário está mudando. “Isso ainda não faz parte da cultura do brasileiro, como na Europa e nos Estados Unidos, que são muito mais seguros que o Brasil, e onde toda casa e estabelecimento tem um sistema de segurança. Mas agora há uma tendência do brasileiro em investir nisso”, esclarece.
Selma Migliori aponta que uma das razões para o barateamento dos equipamentos eletrônicos de segurança é a substituição que a indústria brasileira tem feito ao longo dos últimos anos. Insumos importados estão sendo substituídos por nacionais.
Dentre os equipamentos que tiveram mais destaques estão os alarmes, que apresentaram um aumento de vendas de 15% em 2015, e a tendência é de manter esse ritmo de crescimento.

“Podemos citar alguns fatores que colaboram para os bons resultados do setor. Entre eles: menores custos e acesso à tecnologia; dólar alto que incentivou a produção nacional; investimento em inteligência e prevenção através do monitoramento. Esses são os principais. Hoje há muita tecnologia à disposição, monitoramento, biometria, aplicativos, internet, etc. A população está cada vez mais ligada a isso”, afirma Selma.

BH sediou o 1° Simpósio de Segurança Eletrônica de Minas Gerais, que contou com a participação de dezenas de empresários do setor. Temas como casa conectada e internet das coisas foram discutidos


Projeto de regulamentação está engavetado desde 2007 e trava expansão do setor
A Constituição distingue segurança privada e pública, no entanto, não há uma regulamentação federal do setor de segurança eletrônica. “Um mercado regulamentado, com uma lei cla
ra, poderia ter um crescimento de até 20%”, avalia a presidente da Abese, Selma Migliori.
Há nove anos, representantes da entidade negociam junto ao Congresso a aprovação de um projeto de lei, mas ainda não há nenhuma previsão. “É um setor em que não há um ordenamento jurídico. Desde 2007 batalhamos por uma lei específica. Na ausência dela, criamos uma regulamentação, que é o Selo de Qualidade Abese”, explica. A iniciativa é semelhante ao Selo de Pureza da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), criado em 1989, que estabeleceu critérios específicos para o mercado.
A falta de uma legislação específica tem impacto significativo no país, já que a associação estima que só em 15% das residências há sistemas de segurança eletrônicos instalados – percentual que poderia ser maior.
Hoje, segundo a Abese, o aumento nas vendas tem sido relacionado a novos condomínios, preocupados com a segurança e que já são dotados de algum tipo de sistema eletrônico, ou seja, alarmes, câmeras, portaria remota, dentre outros.