PF mira festa com show de Sérgio Reis via Lei Rouanet

Os artistas não são investigados nem suspeitos de nenhuma irregularidade, pois as fraudes teriam sido cometidas pelas empresas, segundo a Polícia Federal

Agência Estado

Os artistas não são investigados nem suspeitos de nenhuma irregularidade, pois as fraudes teriam sido cometidas pelas empresas, segundo a Polícia Federal

A Polícia Federal e a Procuradoria da República em São Paulo identificaram na Operação Boca Livre S/A que a Fosfértil, empresa do ramo de fertilizantes, teria captado R$ 743 mil em 5 projetos via Lei Rouanet para a promoção de eventos musicais com ‘distribuição de ingressos para instituições assistenciais’ que, na verdade, foram usados para bancar um show do cantor sertanejo Sérgio Reis em São Paulo.
Segundo a investigação, ao invés de apresentações musicais pelo País a um preço popular, o dinheiro captado pela empresa teria bancado uma apresentação do cantor e da Família Lima para mil convidados no HSBC Brasil, em São Paulo, em comemoração aos 50 anos da Fosfértil, no dia 29 de maio de 2009.
Os artistas não são investigados nem suspeitos de nenhuma irregularidade, pois as fraudes teriam sido cometidas pelas empresas, segundo a Polícia Federal.
A PF e a Procuradoria suspeitam que 29 empresas e instituições financeiras estariam envolvidas no esquema. Todas foram alvo de buscas na Boca Livre S.A., deflagrada nesta quinta-feira, 27, que cumpriu mandados em dez municípios dos Estados de São Paulo e do Paraná. "O foco são as grandes empresas que receberam contrapartidas ilícitas, que não tinham previsão legal", declarou a delegada da PF Melissa Maximino Pastor. "As contrapartidas obtidas pelas empresas consistiam em shows, festas e eventos privados pagos com dinheiro público da Lei Rouanet."
Boca Livre S.A. é desdobramento da Operação Boca Livre, deflagrada em junho passado e que teve como alvo maior o Grupo Bellini e as empresas integrantes do esquema que supostamente praticavam estelionato contra a União, peculato e outros crimes correlatos desde 1998.
A Assessoria do cantor Sérgio Reis informa que o artista desconhece qualquer irregularidade relacionada com as suas apresentações e que seu comparecimento em shows se dá mediante contratação "e que não é possível aferir de forma efetiva e eficaz quaisquer eventuais problemas que estejam relacionados com os seus contratantes. Informa, outrossim, que o artista está à disposição para colaborar com tudo o que for preciso na apuração de supostas irregularidades relacionadas com os seus shows."