Estratégia dos ataques diretos entre Kalil e João Leite é desaprovada pelos eleitores

Na tentativa de convencer os mais de 740 mil eleitores que não foram às urnas, votaram em branco ou anularam o voto no primeiro turno, os candidatos Alexandre Kalil (PHS) e João Leite (PSDB) intensificaram os ataques na reta final da campanha. Mas a violenta troca de acusações não tem agradado aos eleitores, mesmo os indecisos.

Hoje em Dia
 
 O Hoje em Dia foi às ruas para ouvir os eleitores e constatou a insatisfação. “Por enquanto, eles só estão brigando. Isso não ajuda a gente a decidir (em quem votar)”, disse a pipoqueira Marli Figueiredo Carvalho. 
O aposentado Antônio Carlos Martins pretende repetir em 30 de outubro o que fez no primeiro turno, quando anulou o voto. “Em vez de propostas, fica um apontando o podre do outro”, lamentou. 

A recepcionista Marilene Gomes também deve anular o voto. “Está uma baixaria. Um fala que o outro tem apartamento em Miami. O outro fala que o rival é caloteiro. E ninguém mostra proposta”, criticou.

A faturista Kênia Cristina está indecisa. “Não gosto de nenhum dos dois”, afirmou. Colega de trabalho de Kênia, Bruna Pereira desaprova a estratégia dos candidatos, mas já se decidiu. “Não estou gostando do nível da campanha. Mas vou dar um voto de confiança para o Kalil. Ele disse que não vai construir nada até que o que já existe esteja funcionando”, afirmou.

A doméstica Maria Bela Rocha também não está satisfeita com o tom de contra-ataque. Mas se coloca do lado do tucano João Leite. “Ele é mais preparado”, disse. 



Desconstrução
Para o presidente da Associação Brasileira de Consultore[/TEXTO]s Políticos, Carlos Manhanelli, as ofensas acontecem quando os candidatos esgotam os argumentos em defesa das próprias propostas e ainda assim não conseguem subir nas pesquisas. "Aí o único caminho é desconstruir a imagem do adversário”, diz. 

A estratégia, segundo ele, é velha conhecida da política e adotada em todo o mundo. “Agora tudo vai depender da reação das pessoas aos ataques”, afirma. 

Ao desafiarem violentamente o oponente nos debates, os candidatos estão dando um tiro no pé, diz o presidente do Sindicato das Agências de Propaganda de Minas Gerais (Sinapro-MG) e consultor de marketing político, André Lacerda. 

Segundo ele, quando os políticos saem para o confronto e deixam de lado as propostas, como tem acontecido na campanha para a PBH, criam um distanciamento do eleitorado. 

“Denegrir a imagem do oponente não melhora a biografia de ninguém. O homem público deve viver do que ele construiu, e não do que ele desconstruiu”, afirma. 

Pesquisa aponta empate técnico entre candidatos
Levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas, divulgado ontem, aponta empate técnico entre Alexandre Kalil (PHS) e João Leite (PSDB). Se as eleições fossem hoje, conforme a pesquisa estimulada, o ex-presidente do Atlético receberia 42,5% dos votos, contra 38,1% do tucano. Como a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para cima ou para baixo, os números mostram empate.

Eleitores que não votarão em ninguém, ou ainda estão indecisos, seguem em alta. Somados, eles representam 19,4%. Brancos e nulos se destacam e acumulam 15,2%. Indecisos, que possivelmente se transformarão em votos válidos, representam 4,2%.

Excluídos os votos brancos, nulos e indecisos, Alexandre Kalil tem 52,7% dos votos válidos, contra 47,3% de João Leite. 

Oitocentas e cinquenta pessoas foram entrevistadas entre 19 e 22 de outubro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o número MG – 06432/2016. 

ESPONTÂNEA
Na pesquisa espontânea, em que o nome dos candidatos não é informado, os brancos, nulos e indecisos somados (34,1%) quase alcançam o índice de Alexandre Kalil (PHS), que aparece na frente com 34,2%. João Leite tem 31,7% das intenções de voto.

O ex-presidente do Atlético também foi o mais apontado quando os eleitores foram questionados sobre quem eles achavam que iria vencer, independentemente do voto. Para 43,1%, Kalil será o novo prefeito. O tucano foi citado por 42,5%. Não souberam responder somaram 14,5%.

Reviravolta
Houve uma reviravolta entre o último levantamento e os resultados apresentados ontem. Em 17 de outubro, João Leite estava na frente, com 43,8%. Kalil tinha 37,4%. Brancos, nulos e indecisos somavam 18,8%.

Quando apenas os votos válidos foram levados em consideração, excluindo os brancos e nulos, o tucano tinha 53,9% e o ex-presidente do Atlético 46,1%.
 

Estratégia dos ataques diretos entre Kalil e João Leite é desaprovada pelos eleitores