"DINHEIRO, CHURRASCO E CERVEJA" PF grava compra de eleitores para reunião e MPE pede cassação de Wilson em Cuiabá/MT

Denúncia do MPE vem à tona em entrevista de Emanuel Pinheiro

 Do Folhamax

O Ministério Público Eleitoral protocolou na noite desta sexta-feira (28), uma representação pedindo a cassação do registro de candidatura do deputado estadual Wilson Santos (PSDB) e também do vereador Leonardo Oliveira (PSB), respectivamente candidatos a prefeito e vice em Cuiabá, por compra de votos. A revelação foi feita há pouco pelo deputado estadual Emanuel Pinheiro (PMDB), adversário do tucano no segundo da disputa pelo palácio Alencastro.
De acordo com a denúncia do MPE, o eleitor Lucas Matos Morais foi procurado via telefone por um dos coordenadores da campanha tucana, Ronaldo Ferreira Moraes Reis, o DJ Roni, que lhe teria oferecido R$ 500 para que agenciasse 40 pessoas do seu bairro Planalto para participar de uma reunião política no bairro São Gonçalo Beira Rio, mais precisamente no Hotel Fazenda Mato Grosso. Este encontro foi organizado pelo ex-secretário de Cultura, Mário Olímpio, e teve até apresentações culturais.
Na ação, o promotor Vinicius Gahyva Martins cita que, após a reunião, "o evento teria cerveja e churrasco". No dia da reunião, o DJ Rony foi a casa de Lucas e registrou em fotografias que as pessoas aguardavam em frente a casa para ir ao evento político do outro lado da cidade.
Após as fotos, vários eleitores questionaram Lucas sobre o pagamento sendo que ele explicou que efetuaria o repasse após receber do DJ Rony, que foi membro do Conselho de Cultura de Cuiabá na gestão de Wilson. O repasse seria no estacionamento do Homat.
AGENTE INFILTRADO
O ônibus que levava eleitores do Planalto ao São Gonçalo Beira Rio acabou sendo alvo de um agente infiltrado da Polícia Federal, Celso Ricardo Alves Ribeiro, que embarcou entre as ruas Tombo e Mantiqueiras do bairro. Um outro veículo descaracterizado da PF também seguiu o ônibus com eleitores com toda ação sendo filmada.
Ao chegar a reunião, o agente infiltrado acompanhou o encontro entre o DJ Roni com Lucas e uma pessoa identificada como Tariki onde fizeram o acerto dos R$ 500 em dinheiro vivo, sendo que a metade foi usada para compra de cerveja e carne e o restante distribuído entre os eleitores. O ato foi gravado pelo PF, "que acompanhava tudo que estava ocorrendo".
É citado ainda na denúncia que outros R$ 50 foram para o eleitor Marcos Sílvio Freitas. Já Igor Carlos Ramires de Lima, Jovanir Vieira de Campos e Marcos Sílvio Freitas disseram em depoimento à PF que na reunião Wilson fez "pedido explícito de votos e angariou simpatia de parte dos presentes".
No pedido de cassação de Wilson e Leonardo, o promotor explica que, apesar de não terem cometido o ilícito diretamente, os dois devem ser penalizados. "De outro, cabe destacar que muito embora a prova até aqui produzida evidencie que a vantagem oferecida não foi entregue diretamento pelos representados o certo é que a infração eleitoral resta caracterizada mesmo que tenha se dado por intermédio de terceiros, os chamados cabos eleitorais com orientação do candidato ou com sua aquiscência", sustenta Gahyva.
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