Confiança no Judiciário é baixa, revela pesquisa

Relatório produzido pela FGV aponta que apenas 29% da população confia no Poder

O Tempo

Reflexo. Nos últimos meses, ministros do Supremo Tribunal Federal ficaram em evidência para a população devido a turbulência política

SÃO PAULO. O relatório Índice de Confiança na Justiça (ICJBrasil), produzido pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, divulgado nessa sexta (28), aponta que Poder Judiciário tem apenas 29% da confiança da população. A mesma pesquisa também mostrou a baixa credibilidade da classe política no Brasil. O índice de confiança da Presidência da República é de 11%. Abaixo estão o Congresso Nacional, com 10%, e partidos políticos, com 7%.
Segundo Luciana de Oliveira Ramos, coordenadora do estudo, apesar de as instituições políticas sempre apresentarem índices de confiança mais baixo, o contexto político do período explica a piora no desempenho da Presidência da República, partidos políticos e do Congresso Nacional. “A ampla exposição do funcionamento dessas instituições na mídia durante seguramente provocou um impacto negativo na avaliação da população”, explica.
Outro lado. As Forças Armadas lideram o ranking de confiança com 59% da confiança, seguidas pela Igreja Católica (57%), imprensa escrita (37%), Ministério Público (36%), grandes empresas (34%) e emissoras de TV (33%). Atrás do Judiciário estão a polícia, com 25% da confiança da população, os sindicatos, 24%, e redes sociais, 23%.
A pesquisa da FGV também questionou os entrevistados sobre a percepção de honestidade de “alguns agentes da lei”. Os juízes são percebidos por metade da população como honestos. O porcentual cai para 46% se o agente for policial, e para 41%, no caso dos advogados. O relatório aponta que 74% dos entrevistados consideram que as pessoas devem seguir a lei, mesmo se discordarem delas; 75% responderam que as pessoas têm a obrigação moral de pagar uma quantia estabelecida pelo juiz, mesmo que discordem da decisão; para 72%, alguém que desobedece à lei é mal visto pelas outras pessoas; 61% acreditam que desobedecer à lei é raramente justificável; e 56% acreditam que uma pessoa tenha que fazer algo que um policial pedir, mesmo se discordar dele.
“Esses resultados mostram que apesar de não avaliarem bem o Judiciário, as pessoas tendem a considerá-lo uma instância legítima para solucionar os seus problemas”, explica a coordenadora do estudo.


Outros números

Descrença. O relatório ICJBrasil aponta que 76% da população afirma ser “fácil desobedecer à lei no Brasil”. Os dados indicam ainda que 81% dos entrevistados afirmam que sempre que possível as pessoas escolhem dar um “jeitinho” em vez de seguir as leis. Já 59% dos entrevistados consideram haver poucas razões para uma pessoa seguir a lei no Brasil.
Método. Foram consultadas 1.650 pessoas residentes nas capitais e regiões metropolitanas de sete Estados (Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo) e do Distrito Federal durante o primeiro semestre de 2016.