Comerciante é confundido com motorista do Uber e leva multa

Caso aconteceu na Rodoviária de Santos, na manhã de sábado (29)


Confusão envolvendo comerciante aconteceu na rodoviária de Santos (Foto: Irandy Ribas)
 
O imbróglio envolvendo o funcionamento do Uber nas ruas de Santos teve um novo capítulo no sábado (29) de manhã, na Rodoviária da Cidade. Presente no terminal de ônibus na condução do seu carro particular para buscar uma amiga pessoal, o comerciante Nelson Júnior, de 45 anos, afirma que foi confundido com um motorista de Uber e vítima de abuso de poder por parte de um agente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos. 
Multado por realizar transporte ilegal de passageiros, o comerciante precisou deixar às pressas a rodoviária, pois alguns taxistas já o intimidavam. Durante a abordagem, o agente tentou apreender a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e o telefone celular do comerciante, que se recusou a entregar o aparelho e acionou a Polícia Militar. 
“Cheguei na rodoviária para buscar uma amiga e assim que parei fui abordado pelo agente. Ele pediu a minha CNH e entreguei porque não sabia se havia parado em alguma vaga irregular. Mas logo em seguida, ele pediu o meu celular e avisou que guincharia o veículo por estar atuando com Uber. Disse que não ia entregar o telefone porque ele não era polícia e que eu não trabalhava como Uber. O problema é que isso ocorreu na frente de uns taxistas, que logo se inflamaram. Fiquei com medo e deixei o local após anotar o nome do agente”, conta Nelson.
“Me dirigi até a Rua João Pessoa e acionei a Polícia Militar. Assim que a viatura chegou, expliquei tudo e entreguei o meu telefone para que olhassem como quisessem. Não acharam nada. Registrei boletim de ocorrência e vou entrar na Justiça por danos morais. Ele vai ter que provar que sou Uber e que estava buscando passageiros na rodoviária. Hoje um simples funcionário da Prefeitura pensa que tem poder de polícia”, acrescentou o comerciante.

Multa lavrada

A presença de Nelson na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos fez com que os PMs entrassem em contato com a CET para pedir o comparecimento do agente responsável pela aplicação da multa na CPJ. Tanto o comerciante quanto o agente da companhia, ao lado do advogado da empresa, foram ouvidos pelo delegado Edmílson Sanches. Questionados pela Reportagem, os representantes da CET não quiseram se manifestar sobre o ocorrido. Contudo, conforme o apurado por A Tribuna, a multa no valor de R$ 84,15 foi lavrada e o comerciante terá que recorrer da infração na Justiça. 
Responsável pelo registro da ocorrência, o delegado Edmílson Sanches vai averiguar se houve abuso de poder por parte do agente e qual era a verdadeira conduta do motorista. “Trabalho com vendas e estou em Santos há apenas nove meses devido à faculdade da minha filha. Vou perder horas do meu trabalho para provar uma suposição feita pelo funcionário da CET. É um absurdo”, desabafou Nelson ao tomar ciência de que precisaria recorrer.