Suspeito de assassinar mineiras em Portugal nega crime para polícia

Homem teve a prisão temporária decretada e seguirá para o sistema prisional de Minas

O Tempo

Nesta terça, polícia reuniu jornalistas para comentar o caso

Os materiais apreendidos na casa do principal suspeito de matar e esconder os corpos das três mineiras em Portugal, Dinai Alves Gomes, 34, e o depoimento de uma pessoa ligada a ele podem auxiliar a Polícia Federal (PF) a solucionar o caso. De acordo com a corporação, a hipótese de que ele teria cometido triplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver é a única linha de investigação seguida no momento, e não existe outra suspeita de autoria. Ele foi preso nessa segunda-feira (6) em Belo Horizonte, enquanto trabalhava em uma obra e negou o crime.
Segundo o delegado Roberto Camara, responsável pelas investigações, Dinai não apresentou resistência ao ser preso e justificou a volta ao Brasil, após o desaparecimento das vítimas, alegando estar cansado de morar em Portugal – ele estava há dez anos no país. O suspeito já havia sido ouvido outras duas vezes pela PF e, em ambas as ocasiões, não admitiu a autoria dos homicídios.
Além dele, outra pessoa, que tem ligação com Dinai, foi ouvida e, posteriormente, liberada. "Foram colhidos dois depoimentos em relação a esse caso, e a gente espera esclarecer alguns pontos", afirmou, sem detalhar que tipo de relação a pessoa ouvida mantém com o suspeito e o teor dos depoimentos, visto que o caso corre em segredo de Justiça.  O jornal português "i" disse se tratar da mulher de Dinai.

Além dos depoimentos, materiais apreendidos durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa do suspeito, na capital, também podem contribuir com o inquérito. "Foram apreendidos alguns itens que podem ajudar a elucidar o caso, celulares e alguns objetos que vamos analisar com o maior cuidado", declarou Camara.
CRÉDITO
Família pretende ir para Portugal para localizar Michele (E), Lidiana (C) e Thayane (D)
Jovens desapareceram em fevereiro
Cronologia
As diligências da PF começaram em março, depois que familiares das vítimas procuraram a corporação em Governador Valadares para noticiar os desaparecimentos. Em maio, o inquérito foi instaurado e, no último dia 26, a corporação recebeu da Polícia Portuguesa a informação de que os corpos das mineiras Michele Santana Ferreira, 28, que estaria grávida de três meses e namorava o suspeito, Lidiana Neves Santana, 16, e Thayane Milla Mendes Dias, 21, haviam sido encontrados em uma fossa séptica no local de trabalho de Dinai, um hotel para cães e gatos chamado Quinta do Monte dos Vendavais, em Portugal. Depois disso, o mandado de prisão temporária, com prazo inicial de 30 dias, foi emitido.
De acordo com Camara, a corporação acredita que os crimes tenham acontecido entre os dias 1º e 2 de fevereiro, após os familiares terem perdido contato com as vítimas – as irmãs Michele e Lidiana ligavam para a mãe, de Campanário, na região do Rio Doce, todos os dias e também se comunicavam pelo Facebook, antes de as contas das duas serem desativadas nas redes sociais e todo o contato ser totalmente interrompido.
A hipótese levantada pela Polícia Judiciária Portuguesa, de que os homicídios poderiam estar ligados ao fato de que o suspeito estava incomodado com o relacionamento homoafetivo entre Lidiana e Thayane, não foi confirmada pela PF. "Eu ouvi os familiares da vítima, e ninguém apontou essa hipótese para mim. Preliminarmente, não verifico nenhuma ligação com esse motivo", afirmou.
Já a tese de que ele teria matado as jovens para esconder a gravidez de Michele da mulher também não foi ratificada. "Ainda não tem a confirmação da suposta gravidez, estamos aguardando a autópsia, que ainda não foi concluída em Portugal", disse o delegado, que acrescentou que é prematuro definir a motivação dos crimes. Segundo ele, não há previsão para a divulgação dos resultados do exame que devem mostrar, também, a causa da morte das vítimas, que permanece desconhecida.
Até o momento, todos os indícios apontam para Dinai, principalmente o fato de os corpos terem sido localizados no local de trabalho e moradia do suspeito. Ele foi encaminhado para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana, e se, condenado, pode pegar até 99 anos de prisão.
Caso seja comprovado que Michele estava grávida, além de triplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver, ele pode responder pelo crime de aborto, cuja pena é três a dez anos de reclusão.
Sumiço
As três jovens deixaram de fazer contato com as famílias no início do ano. Michele e Lidiana ligavam para a mãe todos os dias e também se comunicavam pelo Facebook.
Em fevereiro, as contas das irmãs e da amiga foram desativadas na rede social e Michele passou a se comunicar apenas pelo WhatsApp.
“Ainda fiquei conversando até 11 de fevereiro com Michele por mensagens, mas desconfiei que não era ela. Alguém estava usando o telefone da minha filha”, disse Solange em entrevista concedida no dia 13 de maio.