"Quem dita as regras a justiça ou o bandido?" Júri é cancelado após facção impedir saída de preso do Presídio Central

Facção criminosa que atua dentro de presídios impediu que o réu fosse levado para prestar depoimento. Caso ocorreu em Porto Alegre.

Fonte: CBN

Presídio Central de Porto Alegre
Crédito: reprodução/TV Globo
 
Uma sessão do Tribunal do Júri marcada paraaàs 9h30 desta terça-feira, em Porto Alegre, foi cancelada porque uma facção criminosa que atua dentro de presídios impediu que o réu fosse levado pela Superintendência de Serviços Penitenciários. O preso Arílson Luiz de Oliveira seria julgado na 1ª Vara do Júri por dupla tentativa de homicídio. No entanto, a Susepe esteve no Presídio Central para fazer o deslocamento, mas não o levou para o Fórum porque os criminosos que integram a facção impediram que ele saísse da galeria. O Judiciário foi comunicado sobre o ocorrido.
Em despacho, a juíza presidente da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Taís Culau de Barros, citou que “embora tenha sido intimado, o réu não foi conduzido pela Susepe sob alegação de que os apenados da facção “bala na cara” teriam se recusado a sair da galeria. Desta forma, estando o réu preso e não tendo sido conduzido, impossibilita a realização da sessão”.

O promotor do Ministério Público Eugênio Amorin, que iria atuar na sessão, taxou a situação como um fracasso. Segundo ele, o fato exemplifica como o Estado não tem o mínimo controle dos presídios.
“A facção impediu o deslocamento do réu e não houve autoridade pública da Susepe para ingressar nas galerias e levar o réu coercitivamente. É o fracasso das instituições. Nós somos dominados e não dominamos. Quem manda no sistema prisional são os criminosos, e não as autoridades. Alguma coisa tem que ser feita, imediatamente", desabafou.
Com o cancelamento, o júri foi remarcado para o dia 16 de setembro, às 9h30.