Policial civil ameaça servidores do Ipsemg com arma

Os servidores do hospital estão em greve desde a última segunda-feira (26), sendo que o atendimento é cumprido em apenas 30% da escala

O Tempo 

Servidores do Ipsemg protestaram ontem na porta do hospital  

A Corregedoria da Polícia Civil (PC) apura uma denúncia de servidores do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) que afirmam que vem sendo ameaçados há pelo menos seis meses por um policial civil que acompanha a mãe, internada na unidade. Nesta quarta-feira (28), o suspeito teria chegado a usar uma arma para ameaçar uma servidora.
Conforme o relato de uma funcionária da unidade de saúde que não quis ser identificada, a paciente em estado terminal já passou por diversos andares, sendo que em todos eles houve reclamações de servidores quanto a ameaças. "Ele fala que, se acontecer alguma coisa com a mãe, vai voltar e vingar, vai machucar a gente, sempre mostrando a arma", disse.
Os servidores do Ipsemg estão em greve desde a última segunda-feira (26), reivindicando redução da carga horária de 40 para 30 horas semanais, concursos públicos devido ao déficit de trabalhadores e melhores condições de trabalho. Com o movimento grevista, todos os setores do Ipsemg, entre eles internação e odontologia, trabalham com 30% da escala.
FOTO: SESIPSEMG / DIVULGAÇÃO
ipsemg acampados
Alguns servidores do Ipsemg estão acampados na diretoria
"Hoje, por conta da greve, estávamos com apenas uma funcionária no andar da mãe deste policial. Como a paciente não tinha tomado banho ainda, eles acharam ruim e falaram para a servidora andar rápido, porém, alguém do hospital viu que ele estava usando a arma e acionou a diretoria", continua funcionária.
De acordo com a assessoria de imprensa do Ipsemg, após a denúncia de que havia um homem armado ameaçando servidores dentro do hospital, a Corregedoria da PC foi imediatamente acionada para cuidar do caso. No hospital não há detector de metais, informou.
Já a assessoria da PC informou que uma equipe da Corregedoria Geral da Polícia Civil acompanha o caso, que está sendo apurado. Ainda conforme a corporação, caso fique comprovado qualquer tipo de ato ilícito por parte do policial, ele receberá a punição cabível.
Ainda de acordo com a trabalhadora do Ipsemg, a Corregedoria teria pedido que os funcionários fossem até o órgão para prestar queixa. "Mas eles estão com medo, não querem ser identificados ao denunciar o policial que sempre diz que irá machucá-los", contou.
Problema antigo 
Apesar da funcionária ter dito para O TEMPO que as ameaças já estariam ocorrendo há pelo menos 6 meses, segundo a presidente do Sindicato dos Servidores do Ipsemg (SISIPSEMG), Maria Abadia de Souza, o problema já estaria ocorrendo há pelo menos um ano e meio.
"Não foi só hoje e nem é só este acompanhante. A paciente, coitada, não tem culpa de nada, o problema são os acompanhantes dela. Eles querem exclusividade, querem até mesmo escolher quem será o funcionário que irá atender a mãe deles, mas fazem isso na marra, na arma", denuncia.
Ainda segundo o sindicato, diversas denúncias sobre o caso já foram feitas à administração do Ipsemg, que já registrou inúmeros boletins de ocorrência. "A falta de segurança, por conta deste policial e também do roubo com funcionários feitos reféns que ocorreu recentemente, foram temas de reunião com o governo, na sexta-feira (30). Não dá mais, já ofereceram até home care para esta paciente e não aceitaram. Temos servidores de licença médica por não aguentarem mais isso", afirma Maria Abadia.
Na madrugada do dia 4 de setembro, dois homens armados invadiram o 2º andar do hospital para tentar estourar o caixa eletrônico. Uma das seis máquinas do local foi queimada, mas os assaltantes não conseguiram tirar o dinheiro. Em compensação, eles trancaram quatro funcionários no banheiro, sendo três técnicas de enfermagem e um porteiro, e saíram levando celulares dos trabalhadores e televisores da instituição usados para prestar informações aos pacientes.