XANGAI – Frente a empresários brasileiros e chineses, reunidos em um seminário em Xangai, ontem, o presidente Michel Temer e seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se desdobraram para apresentar um país pacificado em plena retomada de confiança. 
“É um país seguro e estável, não há conflitos políticos ou religiosos”, disse Meirelles durante palestra. “Nós tivemos agora uma mudança no governo, mas que foi feita em paz, dentro das normas da Constituição, presidida a sessão pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, tudo segundo ritos definidos pela Justiça”.
Meirelles falou sobre a possibilidade de investimentos em projetos de infraestrutura na casa de US$ 269 bilhões no prazo de quatro anos.
Segundo o ministro, não se trata de um compromisso do governo, mas de um mapa de oportunidades até o meio de 2020 para mostrar aos investidores. “É uma estimativa do número de projetos que poderão ser feitos e estarão disponíveis no Brasil, em infraestrutura”, disse.
Aplausos
Temer chegou em meio a aplausos da plateia, composta por cerca de 400 pessoas, e a selfies dos chineses. Em sua fala de pouco mais de oito minutos, Temer citou Confúcio duas vezes.

“Os últimos 120 dias, sabem todos, foram de transformações em nosso país. Mesmo em um período de interinidade, pudemos avançar. As expectativas dos agentes econômicos melhoraram, a confiança foi restabelecida, e os indicadores começaram a se recuperar”, disse o presidente à plateia, emendando: “Confúcio, esse monumento de sabedoria que a China nos legou, escreveu que o homem correto faz antes de falar, apenas depois fala de acordo com aquilo que fez. Sinto-me muito à vontade de lhes falar dos futuros do Brasil, porque as bases desse futuro já foram lançadas”. 
Segundo Temer, “o fundamento central” de seu governo é uma série de responsabilidades: fiscal, monetária e política. 
Ao falar da recessão brasileira, o presidente citou Confúcio novamente. “A sabedoria confuciana nos oferece a melhor lição: a glória não está em nunca sair, mas em sempre levantar”, disse. 
Negócios
Nove acordos de comércio, investimento e cooperação foram assinados no evento com os empresários. 

Apesar de o governo festejar a soma de cerca de R$ 10 bilhões em investimentos, parte dos acordos já tinha sido anunciada anteriormente, como o acordo de aquisição da Rio Bravo pelo Grupo Fosun, e o de aquisição da participação societária da Camargo Correa na CPFL Energia pela State Grid (negociação agora ratificada). 
Um dos destaques dos acordos é para a criação de um fundo de investimento para agricultura entre Brasil e China, com capital de US$ 1 bilhão, com a Haitong e a Dakang. O fundo terá foco na cadeia do setor agrícola, como armazenamento, logística e portos. O ministro Blairo Maggi afirmou que sua meta é ampliar a participação brasileira no mercado mundial de alimentos, dos atuais 7% para 10% no prazo de cinco anos.