Motorista pede emprego nas ruas de BH e recebe apoio da população

Profissional pintou uma faixa pedindo por uma oportunidade na área; ele se inspirou em caminhoneiro que recebeu várias propostas fazendo o mesmo

O Tempo

Motorista percorre as ruas de BH carregando faixa

Desempregado desde abril deste ano, o motorista Evandro Ferreira Alves, de 53 anos, resolveu peregrinar pelas principais avenidas e ruas de Belo Horizonte para anunciar sua procura por uma nova oportunidade no mercado de trabalho.
Há um mês ele transita em algumas das vias mais movimentadas da capital mostrando uma faixa pintada com os seguintes dizeres: “Procura-se. Emprego de motorista. CNH AD. Longa experiência com ônibus”. A mensagem ainda informa o telefone do profissional.
Nesta semana, uma pessoa que passava pela avenida Raja Gabaglia registrou o momento em que Alves exibia o cartaz aos pedestres e condutores. A foto foi publicada nas redes sociais e, em poucos horas, o motorista recebeu diversas mensagens de apoio, além de indicações de empresas que poderiam contratá-lo. Entretanto, a almejada proposta de emprego ainda não apareceu.
“As pessoas me enviam mensagens parabenizando pela iniciativa. Recebi também sugestões de alguns lugares que estão contratando. Eu entro em contato com as empresas para ver a possibilidade, mas ainda não me retornaram. Eu tenho várias possíveis propostas, porém, nenhuma concreta”, lamenta.
Alves conta que sua iniciativa não é pioneira. Ele se inspirou em um caminhoneiro que circulava por sinais de BH mostrando uma faixa pedindo emprego e conseguiu diversas propostas. “Vi esse rapaz, acredito que na avenida Nossa Senhora do Carmo. Na época, eu ainda estava trabalhando. Mas achei a iniciativa desse homem muito criativa e corajosa. Com a crise que esse país está passando, temos que lutar, correr atrás”, ressaltou Alves, que conta com o apoio de seus familiares. “Minha esposa e minha filha acharam muito bacana da minha parte. E é como se diz, a gente precisa de ganhar o pão de cada dia. Por isso elas me apoiam muito”.
Com 27 anos de experiência, o motorista conta que já trabalhou em grandes empresas do ramo de viagens. Mesmo assim, as vagas para trabalhar novamente na área são escassas. “Não fiquei parado desde que perdi o emprego. Já fiz churrasquinho, minha esposa começou a vender sorvetes em nossa própria casa, mas as contas não fecham. Está muito complicado mesmo”.