Isolado, Cunha será julgado hoje por quebra de decoro parlamentar

Hoje em Dia


Ex-homem forte da República, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que conseguiu articular o impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, pode hoje ver o seu império ruir. Praticamente isolado, mesmo depois de enviar carta a seus pares na Casa para tentar evitar a cassação, o peemedebista, que chegou a ter a maioria do Congresso nas mãos, arrisca as últimas manobras para garantir o mandato.
A partir das 19h de hoje, a Câmara dos Deputados deve dar início ao julgamento da cassação do seu mandato. Eduardo Cunha é acusado de mentir à CPI da Petrobras, onde afirmou que não tinha contas no exterior.
No entanto, a Procuradoria Geral da República o acusa de ter recebido propinas no valor de US$ 5 milhões em contratos de navios-sonda da Petrobras e de ter depositado os valores em contas na Suíça.
Direitos políticos
As perspectivas de garantir pelo menos os direitos políticos, como conseguiu a ex-presidente Dilma no julgamento do impeachment, no final do mês passado, são quase nulas. No entanto, o que resta da “tropa de choque” do peemedebista prepara recurso, com efeito suspensivo, para tentar evitar que a votação ocorra hoje.
Para que o peemedebista perca o mandato são necessários 257 votos dos 513 deputados. No entanto, grande parte dos parlamentares que ajudou Eduardo Cunha a chegar à Presidência da Câmara já não o apoia mais.
Segundo levantamento do “Estadão”, realizado na última sexta-feira, 280 parlamentares já se posicionavam a favor da cassação de Cunha.
Na última semana, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), apostava em quorum acima de 400 parlamentares na sessão de hoje, assim como o deputado federal mineiro Júlio Delgado (PSB). A votação deve ser concluída na terça ou quarta-feira.