Uso de smartphone em excesso pode prejudicar a visão, alerta especialista

Pausas entre o uso são fundamentais para o não comprometimento da saúde ocular

A Tribuna

Uso em ambientes escuros deve ser evitado
(Foto: Divulgação)

O número de aparelhos smartphones em uso no Brasil já ultrapassa a marca de 168 milhões. E, em tempos de Pokémon Go, fica difícil, principalmente entre os jovens, manter os olhos desgrudados da tela destes dispositivos. É justamente aí que surge uma nova preocupação. Por reduzir o número de piscadas em frente a estes aparelhos, aumentam os riscos à saúde ocular, de acordo com o oftalmologista Celso Afonso Gonçalves. 

“Quando olhamos para esses equipamentos, tendemos a piscar quase seis vezes menos do que a frequência habitual, por conta da atenção dispensada ao que estamos visualizando. Isso ocorre de forma inconsciente. A lágrima evapora com maior rapidez e, consequentemente, há um ressecamento ocular relevante”, comenta. 
O problema, ainda de acordo com o especialista, é agravado pela soma do uso de outros equipamentos ao longo do dia, como a televisão, o computador e os tablets, que nos cercam quase o dia todo. Com esta dependência tecnológica e o aumento do número de horas frente à luminosidade dos dispositivos, a recomendação médica é moderar o uso, quando possível, para prevenir problemas de visão futuros.
“Não existem estudos que relacionem doenças que causam cegueira com o uso dos smartphones. Porém, como estamos lidando ainda com algo desconhecido, algumas medidas podem ajudar a evitar eventuais danos”.
Uma delas, segundo o especialista, é adotar descansos periódicos, com pausas de 10 minutos a cada 30 minutos de uso contínuo. “Deve-se fechar os olhos ou olhar para o horizonte, usando a visão de longe. Isso ameniza muito os efeitos indesejados, como olhos vermelhos, dor de cabeça e indução da miopia”. Já no caso do uso prolongado durante o dia, a recomendação é utilizar colírios lubrificantes. 
Distância mínima 
A proximidade com os equipamentos também sobrecarrega a visão. Por isso, o oftalmologista chama a atenção para uma distância mínima entre o usuário e o dispositivo. “A proximidade com estes equipamentos acaba deteriorando a visão de longe, possibilitando até mesmo o surgimento da miopia. Por isso existe essa distância de conforto - em média de 35 cm - para a musculatura responsável pelo sistema de acomodação do olho”. 
O especialista também recomenda que o uso de smartphones e tablets seja evitado em ambientes pouco iluminados. “No escuro, nossas pupilas, que funcionam como um diafragma, controlando a entrada de raios luminosos no nossos olhos,  tendem a manter-se dilatadas. Como não existem estudos mostrando a longo prazo efeito de alguns comprimentos de onda sobre nossas retinas, a leitura no escuro deve ser evitada, sempre tendo uma luz no ambiente, mesmo que seja apenas um abajur”.
O uso destes dispositivos entre crianças também exige cuidados, alerta o especialista. “Ao longo de suas vidas elas terão um tempo de exposição muito mais longo que um adulto. Assim sendo, o monitoramento torna-se fundamental na preservação de danos visuais a longo prazo”.