"Saúde" Remédio para transplantados em falta no Farmácia de Todos

Ciclosporina é fundamental, pois evita a rejeição de órgãos

O Tempo

Maria da Silva, que transplantou o coração, teme ficar sem remédio

Há quatro anos a aposentada Maria Abadia Rosa da Silva, 53, ganhava uma nova vida com o transplante de coração. Para ela, a cirurgia significaria o fim das complicações médica, mas a falta do Ciclosporina – medicamento fundamental para quem passar por transplantes – no Farmácia de Todos a deixando assustada. “Eu estou ficando sem remédio e não sei mais o que fazer, pois estou indo à Farmácia de Todos, e lá não está tendo. O risco sem esse remédio é grande para mim”, contou.
O risco que ela teme, de acordo com o médico Agnaldo Soares, é o perigo de rejeição do órgão transplantado, caso o remédio não seja tomado no tempo adequado. “Esse risco de rejeição vai depender de cada pessoa, mas não é prudente que o paciente fique menos de um dia sem esse medicamento. Existe, sim, um outro remédio disponível para esse tipo de situação, mas ele costuma não ser o ideal para pessoas que já tomam o Ciclosporina”, avaliou.
Mesma opinião tem o médico Silvio Amadeu de Andrade, do Hospital das Clínicas. Segundo ele, ao menos 50 pacientes da unidade estão sofrendo com a falta do medicamento.
“As queixas chegam para a gente. Há alguns meses estava em falta o Ciclosporina 50 m. Agora isso também ocorre com o de 25mg. É um medicamento muito caro e difícil de ser encontrado em farmácias privadas”, acrescentou.
Posição. Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou, por meio de nota, que os fornecedores dos medicamentos Ciclosporina (25 mg, 50 mg e 100 mg) e Calcitriol 0,25mcg encontram-se em atraso com as entregas, “o que culminou num desabastecimento pontual desses itens”.
A pasta salientou ainda que vem tomando medidas para normalizar a situação, mas não informou nenhum prazo para regularização do serviço.