Ressaca na orla de Santos foi a mais forte dos últimos 12 anos, diz climatologista, confira nas imagens

Dessa vez, água do mar invadiu vias mais afastadas da orla, como a Epitácio Pessoa e dos Bancários 

A Tribuna

Mureta parecia apenas dividir o mar. Foto: Divulgação

Há pelo menos 12 anos, Santos não registrava uma ressaca tão forte como a deste domingo (21), quando a elevação da maré fez com que diversas ruas na Ponta da Praia ficassem completamente inundadas e causasse tamanha destruição. O volume de água foi tão grande que invadiu as avenidas Almirante Saldanha da Gama e Bartolomeu de Gusmão e vias mais afastadas, deixando garagens de prédios completamente inundadas. 
Conforme o climatologista Rodolfo Bonafim, que coordena a ONG Amigos da Água, o fato da maré ter invadido avenidas como Epitácio Pessoa e dos Bancários aponta para a força da ressaca.
Ele recorda que, em 2004, durante o outono, uma forte ressaca, favorecida pela lua cheia, causou muita destruição. ''Desta vez, tivemos lua cheia, só que próxima, quatro dias depois''. 
Água invadiu a Ponte Edgard Perdigão e avançou pela Avenida Saldanha da Gama. Foto: Divulgação
Antes do episódio deste domingo (21), a última vezem que o mar atingiu a Ponta da Praia deixando tanta destruição foi em 27 de abril. Naquele dia, a subida da maré foi prevista, mas não com tamanha força. Agora, a junção com ventos de até 82 km/h, conforme a Prefeitura, foi crucial.
Mar deve ficar novamente agitado
nesta tarde. Foto: Claudio Vitor Vaz
E, segundo Bonafim, não é difícil voltarmos a presenciar estragos tão grandes, causados por uma ressaca. ''A Ponta da Praia sofre um processo de erosão, um processo constante, cumulativo. Quanto mais o tempo passa, é pior''.
Bonafim explica que as causas para a força da água do mar ser cada vez maior podem ser desde a dragagem no Porto de Santos ao aumento do nível das águas causado por mudanças climáticas. 
''Aquele pedaço da praia já vem sofrendo redução da faixa de areia há cerca de 40 anos. Agora, esses danos estão acelerados. Mas, não há consenso que a dragagem esteja causando isso. O que sabemos é que, com o aprofundamento do canal, as ondas ficam mais altas, a amplitude delas aumenta, e a erosão acaba sendo mais forte''.  


Previsão do tempo
Bonafim confirmou que há novo risco de ressaca em função da alta da maré, às 16 horas desta segunda-feira (22).

Entretanto, segundo ele, a agitação do mar deve ser bem menor, já que a massa de ar frio vai se deslocando para o mar e o ciclone está se afastando da costa. Há previsão de que as ondas cheguem aos 2 metros de altura. 

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