No Senado, Dilma se defende de acusações e pede voto pela democracia

Presidente afastada discursou por cerca de 45 minutos antes de responder a perguntas de senadores

A Tribuna

Dilma discursou no quarto dia de julgamento
(Foto: Reprodução)

No quarto dia de julgamento do processo de impeachment no Senado, a presidente afastada Dilma Rousseff, acusada de crime de responsabilidade, apresentou sua defesa e voltou a afirmar ter sido vítima de um ''claro golpe de Estado”.

Dilma discursou por cerca de 45 minutos, antes de responder a perguntas dos senadores. A sessão é presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski.
Em sua fala, a presidente voltou a afirmar que não cometeu em sua gestão nenhum ato ilícito e que a decisão de levar adiante o processo contra sua destituição “afronta o desejo de mais de 54,5 milhões de brasileiros” que a elegeram em 2014.
Falou da luta iniciada ainda na época da ditadura, que deixou nela marcas que amargou por anos, e garantiu aos senadores que, depois de ter sido eleita, não mudou de lado. 
“Lutei pela democracia e dediquei toda minha vida por uma sociedade livre de preconceitos e discriminações, por uma sociedade onde não houvesse miséria e excluídos. Aos quase 70 anos, não seria agora que abdicaria dos princípios que sempre me guiaram”. 
Presidente está afastada do mandato há mais de 100 dias (Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)
Luta pela democracia 
Em tom de ataque, Dilma voltou a defender que continuará lutando pela vontade soberana dos brasileiros, que a elegeram. “Não luto pelo mandato, vaidade ou apego ao poder. Luto pela democracia, verdade e pela justiça. Luto pelo povo do meu País”.

Na sequência, criticou o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e falou que sua gestão foi prejudicada pelas chamadas 'pautas-bomba' no parlamento, que prejudicaram a economia e dificultaram ainda mais a busca pelo reequilíbrio fiscal. “Encontraram na pessoa do ex-presidente da Câmara o vértice de sua aliança golpista”.  
Ainda conforme a presidente, apesar de estar sendo julgada por crimes considerados ilícitos, está com a consciência tranquila porque no exercício da presidência, jamais cometeu qualquer ato ilegal. "Contrariei interesses e por isso pago um preço alto. As provas produzidas deixam claro que as acusações são meros pretextos embasados por uma retórica jurídica. Esse processo de impeachment não tem legitimidade.
Dilma fez apelo aos senadores, para que votem pela democracia (Foto: Agência Brasil)
Dilma ainda comparou a atual situação política com as mesmas adversidades encontradas pelos governos Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart e afirmou que seu impeachment resultaria na perda de uma série de conquistas para as classes mais pobres, dando apoio a um governo “usurpador”, que não foi escolhido nas urnas.
"São pretextos para derrubar por meio de um impeachment sem crime de responsabilidade um governo legítimo. São pretextos para viabilizar um golpe na Constituição que, se consumado, resultará na eleição indireta de um governo usurpador", disse.
“O que está em jogo não é o meu mandato, mas, sim, a conquista dos últimos 13 anos, das classes mais pobres, da valorização do salário, dos investimentos em obras [...] O que está em jogo é autoestima do brasileiro. O que pretende o governo interino é um verdadeiro ataque às conquistas dos últimos anos. O resultado será ainda mais pobreza, mortalidade infantil e decadência de municípios mais pobres”.

Crise política 
Dilma também afirmou que, desde sua reeleição, a oposição tentava desestabilizar seu governo. “Não viram a vontade do povo, tudo fizeram para desestabilizar a mim e meu governo. Não procuraram discutir e aprovar uma melhora proposta para o nosso País. Buscou-se formas de degastar o governo e o impeachment se tornou assunto central apenas dois meses após minha reeleição, apesar da improcedência dos motivos para justificar o processo, que só aprofundou ainda mais a crise política e econômica”. 
No final do discurso, a presidente afastada lamentou a situação do País, que está “a um passo de uma grave ruptura institucional” e voltou a afirmar estar sendo vítima de um golpe. “Estamos a um passo da concretização de um verdadeiro golpe de Estado. Jamais renunciaria, nunca renuncio à luta […] Cassar em definitivo o meu mandato é como me submeter à pena de morte. Hoje, só temo pela morte da democracia''.

Por fim, Dilma fez um apelo aos senadores, para que a absolvam no processo de impeachment. "Eu respeito meus julgadores, não nutro rancor por quem votar a favor do impeachment e tenho muito apreço pelos que têm lutado bravamente pela minha absolvição, a quem serei eternamente grata", afirmou.

Dirigindo-se aos senadores indecisos, mesmo os da oposição, ela disse que para a condenação política é obrigatória a existência de crime de responsabilidade, cometido dolosamente e comprovado de forma cabal. "Pensem no terrível precedente que essa decisão pode abrir para outros presidentes, governadores e prefeitos atuais e futuros. Condenar um inocente, esse é o precedente [...] Peço: votem contra o impeachment, votem pela democracia".

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