Medalha de Mayra Aguiar é o terceiro pódio militar do Brasil nos Jogos 2016

Hoje em Dia

RIO DE JANEIRO – A Olimpíada Rio-2016, pelo menos no que se refere à participação brasileira, começa com cara de Jogos Militares. E isso ganhou mais força ontem, com a terceira medalha do país sendo conquistada pela terceiro-sargento da Marinha Mayra Aguiar, na categoria até 78kg do judô, numa disputa em que mais uma vez a expectativa pelo ouro foi frustrada, embora ela não carregasse o favoritismo e tenha repetido o desempenho de Londres, há quatro anos, o que a transforma na primeira mulher a ter duas medalhas na modalidade.
Antes, os dois pódios brasileiros também foram de militares. No sábado, o sargento do Exército Felipe Wu ganhou nossa primeira medalha, a prata, no tiro.
O único ouro do Brasil saiu na segunda, com a sargento da Marinha Rafaela Silva. Foi a única vez em que o Hino Nacional tocou no Rio. E o fato de ela não ter feito a continência gerou polêmica, pois Wu, dois dias antes, tinha reverenciado a bandeira. Ontem, Mayra também se comportou como uma civil no pódio.
“Nós não obrigamos. Preferimos que a coisa se dê de forma espontânea e isso depende de cada um. Levantaram a polêmica de que esse ato poderia ser punido pelo COI. Mas eles jamais puniram qualquer atleta por ter feito continência no pódio. O que eles proíbem são manifestações políticas”, afirma o Almirante Paulo Zuccaro, do Departamento de Desporto Militar do Ministério da Defesa.
Projeção
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, revelou que a projeção é de que os atletas militares conquistem pelo menos 10 medalhas. Eles estão distribuídos em 27 modalidades, desde as que têm mais afinidade com o serviço militar, como hipismo, pentatlo moderno, tiro esportivo, esgrima, taekwondo e judô, até outras que não têm relação direta com as forças armadas, como golfe, badminton e ginástica artística.
No total, dos 465 integrantes do Time Brasil, 145 são militares. O número se deve ao programa de apoio, iniciado em 2008, mas que teve um boom em 2011, quando o Rio recebeu os Jogos Mundiais Militares.
O programa tem 670 atletas, sendo 76 militares de carreira e outros 594 temporários, que podem ficar até oito anos alistados, recebendo salário médio de R$ 4 mil.
Orçamento
O orçamento anual do programa é de R$ 18 milhões, sendo que R$ 15 milhões são gastos com salários e o restante com o pagamento de despesas de viagens para competições. Segundo Jungmann, as bolsas devem ser mantidas após a Olimpíada, com as renovações sendo permitidas.
Apesar de os atletas participantes que não são militares de carreira não seguirem a rotina militar, quase todos treinam nas dependências das Forças Armadas. E contam com o serviço de nutricionistas, psicólogos, médicos e fisioterapeutas.
Apesar do suporte, pelo menos no judô, onde os 14 competidores são militares da Marinha, o rendimento é abaixo do esperado.
Hoje, as disputadas da modalidade serão encerradas com Maria Suelen competindo na categoria acima de 78kg, e Rafael Silva, o Baby, na acima de 100kg.
Ambos não são favoritos, mas a expectativa, com ou sem continência, é que eles ocupem um lugar no pódio, o que igualaria a participação do judô brasileiro em Londres, há quatro anos, quando foram conquistadas quatro medalhas (um ouro e três bronzes).
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