Jovem tentou matar bebê por medo e vergonha dos pais evangélicos

Ainda segundo a suspeita, de 19 anos, pai da criança também não queria assumir o filho; na versão do ex-namorado da jovem, ele nunca foi informado da gravidez

O Tempo

O medo da reação dos pais, pastores evangélicos, e a vergonha do fato do pai não querer assumir a criança teriam sido apresentados por uma jovem de 19 anos como os motivos que a levaram a tentar matar o seu bebê, nascido no banheiro da Santa Casa de Canápolis, no Triângulo Mineiro, na última terça-feira (2). Apesar da alegação da jovem, o pai da criança foi ouvido nesta quinta-feira (4) e disse não ter sido informado em nenhum momento sobre a gravidez.
O parto aconteceu no banheiro da unidade de saúde após a mulher chegar, acompanhada de sua mãe, queixando-se de dores na barriga por causa de uma suposta hemorroida. Detida na cadeia pública de Canápolis desde quarta-feira (3), a suspeita prestou depoimento à Polícia Civil e disse ter descoberto que estava grávida já no quinto mês de gestação.
"Na versão dela, o pai foi procurado e se negou a assumir a criança. Como ela não estava namorando na época, ficou com medo de contar para os pais, que são muito rígidos, pastores da Igreja Assembleia de Deus", detalhou a delegada Anice Ahmad Mustafa.
A presa alegou ainda que não tinha a intenção de matar o bebê, que nasceu dentro do vaso. "Ela disse que tentou tirá-lo da água, com medo que afogasse, mas que ele escorregou e bateu a cabeça no chão. Ela detalhou até mesmo que cortou o cordão umbilical com os dedos e a unha. Com medo da criança estar morta, ela colocou em um saco e foi até o banheiro masculino, onde deixou deixou o filho", completa a policial.
Em seu depoimento, o pai da criança disse que realmente namorou com a jovem por cerca de 1 ano, sendo que na época ele frequentava a casa dos pais e era obreiro na igreja. "Eles terminaram e, em novembro do ano passado, eles voltaram a se relacionar, mas nada sério. Apesar dela dizer que ele se recusou a assumir a paternidade, o namorado alegou que nunca foi procurado por ela e que, se após o exame ficar confirmado que o filho é dele, irá assumir a paternidade", conta Anice.
Exame
Nesta quarta-feira a suspeita foi submetida à um exame com um psiquiatra. Caso seja constatado que o crime ocorreu devido ao puerpério - fase pós-parto em que a mulher sofre alterações físicas e psíquicas -, ela será indiciada por tentativa de infanticídio, quando a mãe tenta matar o filho por depressão pós-parto ou algum outro distúrbio. Com pena de 2 a 6 anos de prisão, o crime tem punição mais branda que a tentativa de homicídio, que pode levar a até 15 anos de detenção.
"Já ouvi a pediatra que atendeu a criança, que disse que se ela não tivesse sido socorrida certamente morreria, pois estava dentro de um saco sem oxigenação. Felizmente tudo correu bem e agora o bebê passa bem", finalizou a delegada.