Há quase dois meses sem chuvas, BH só deve 'ver água' no fim do mês

Última precipitação considerável na capital mineira, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foi no dia 4 de junho; apesar da estiagem, os reservatórios da grande BH não apresentaram grande perda em seus volumes

O Tempo

Última chuva foi registrada no início de junho, sendo que os quatro primeiros dias tiveram cinco vezes mais chuva que o esperado para todo o mês

Sem chuvas consideráveis desde o dia 4 de junho deste ano, Belo Horizonte só tem previsão de ver água novamente a partir do fim de agosto, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Apesar da longa estiagem, a Bacia do Sistema Paraopeba, que reúne os reservatórios responsáveis pelo abastecimento da região metropolitana de BH, não apresentou perda considerável de seu volume, mesmo também não tendo recebido nenhuma precipitação no mês de julho.
Conforme as estatísticas da Copasa, no dia 2 de julho o nível do Sistema Paraopeba (reservatórios Rio Manso, Serra Azul e Vargem da Flores) estava com 58,8% de sua capacidade total. Já nesta segunda-feira (1º), o nível era de 57,9%, uma queda de 0,9% em um mês que não teve qualquer chuva. Dentre os reservatórios, o Serra Azul foi o que perdeu mais água (0,8%), passando de 34,1 para 33,3 nesta segunda.
O meteorologista Luiz Ladeia, do Inmet, explica que a última chuva considerável na capital mineira foi no dia 4 de junho, quando foi registrada uma precipitação de 14 mm. "No dia 5 até tivemos 4,2 mm, mas abaixo de 5 mm não é considerado como paralisação da estiagem", explica o profissional.
Neste ano, o Sistema Paraopeba registrou um acumulado de precipitação de 2.319,9 mm, sendo 943 mm no reservatório Rio Manso, 783,2 no Serra Azul e 593,7 no Vargem das Flores. Conforme o meteorologista, a recuperação mais significativa na crise hídrica que o estado viveu ocorreu no mês de janeiro, que teve 327,2 mm de chuva contra uma média histórica de 296,3 mm. Em fevereiro já choveu abaixo do esperado (188,4 mm), com 174,4 mm.
Desde então a cada mês os índices caíram cada vez mais do que se esperava, sendo que, em maio, a previsão era de pelo menos 27,8 mm, porém, nenhuma chuva foi registrada. Em junho, a expectativa era de que chovesse 14,1 mm, entretanto, somente nos quatro primeiros dias do mês foram registrados 75,3 mm.
"Em agosto, a média é de 13,7 mm de chuva, geralmente distribuídos em cinco dias - estatisticamente agostos é o mês que menos chove, já que em setembro a média sobe para 40,5 mm e em outubro já se intensifica muito as precipitações", complementa Ladeia. Ainda segundo ele, existe a chance das chuvas se anteciparem em agosto, uma vez que o fenômeno El Niño perdeu força em maio e ainda não se tem atuação do La Niña. "É o que chamamos de anos neutros, quando há uma tendência de que as chuvas sejam regularizadas", finaliza.
Baixa umidade
Ainda segundo o meteorologista do Inmet, apesar da ausência da chuva por dois meses em BH, a umidade relativa do ar ainda não atingiu números preocupantes na capital mineira, variando de 75 a 80% na parte da manhã e 30 a 35% na tarde.
"A situação da umidade está mais crítica no Triângulo, onde o nível tem caído abaixo dos 25%. Por isso temos um alerta para esta região, já que com o tempo tão seco aumenta-se muito a questão das queimadas, já que existe um vento constante que ajuda a espalhar as chamas na vegetação", complementa Ladeia.
O profissional explica que o problema não é sentido de forma tão drástica na faixa mais a leste do Estado, como as regiões do Rio Doce, Jequitinhonha e Mucuri. "Estão soprando ventos oceânicos que melhoram a questão da umidade. O problema maior é realmente na faixa mais a oeste, onde ainda não há qualquer perspectiva de chuva ao longo dessa semana", finaliza.