Atentado em casamento deixa 30 mortos e 94 feridos na Turquia

O presidente Recep Tayyip Erdogan avaliou que o grupo Estado Islâmico (EI) é o "provável autor" do atentado em Gaziantep

Ao menos 30 pessoas morreram e 94 ficaram feridas em um atentado a bomba durante um casamento na noite deste sábado (20) na cidade de Gaziantep, no sudeste da Turquia - anunciou o governador da região, Ali Yerlikaya.
 
"Condenamos os traidores que organizaram e cometeram esse ataque" contra uma cerimônia de casamento, prosseguiu o governador.
 
O presidente Recep Tayyip Erdogan avaliou que o grupo Estado Islâmico (EI) é o "provável autor" do atentado em Gaziantep.
 
Erdogan destacou que não há "qualquer diferença" entre o pregador no exílio Fethullah Gulen, acusado da tentativa de golpe em 15 de julho; o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e o grupo jihadista EI, "provável autor do atentado em Gaziantep".
 
"Nosso país, nossa nação, apenas pode reafirmar uma única mensagem a quem nos ataca: fracassarão"!
 
"A Turquia não cederá à provocação" que supõe o atentado de Gaziantep. Ao contrário, responderá com "unidade, solidariedade e fraternidade".
 
Em entrevista ao canal de televisão CNN Turk, o deputado Mehmet Erdogan, do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, da situação), confirmou que foi um ataque com bomba.
 
O responsável pela explosão ainda não foi identificado, mas Mehmet Erdogan disse que é muito provável que tenha se tratado de um ataque suicida.
 
O deputado acrescentou que esse tipo de ataque costuma ser cometido pelo EI, ou pelos rebeldes curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
 
De acordo com a agência Dogan, outro deputado de Gaziantep pelo AKP, Samil Tayyar, declarou que "as primeiras informações levam a pensar em que foi obra do Daesh (acrônimo do EI em árabe)".
 
Segundo a agência de notícias Dogan, a explosão, que aconteceu às 16h40 (horário de Brasília), teve como alvo uma cerimônia de casamento.
 
Festa ao ar livre
Um responsável turco disse que "segundo as primeiras informações, a cerimônia ao ar livre" ocorria em um bairro de Gaziantep, de maioria curda, o que reforça as especulações sobre um atentado extremista.
 
Vários curdos participavam do casamento, incluindo muitas mulheres e crianças, e "muitos curdos perderam a vida", lamentou o partido pró-curdo HDP, condenando o atentado em um e-mail.
 
As televisões mostraram ambulâncias chegando ao local onde jaziam corpos cobertos com panos brancos. Familiares das vítimas esperavam sentados na rua.
 
Muitas pessoas chegaram ao local, empunhando bandeiras turcas e gritando "o país não pode ser dividido". Outras tentavam arrancar as bandeiras, e a Polícia atirou para o alto para dispersar a multidão.
 
Como acontecem em atentados de grande vulto no país, as autoridades turcas proibiram a difusão de imagens ao vivo pela televisão e pelas redes sociais.
 
"O objetivo do terror é atemorizar a população, mas não vamos permitir isso", garantiu o vice-primeiro-ministro turco, Mehmet Simsek.
 
"Atacar um casamento é algo bárbaro", declarou ele à televisão turca.
 
Localizada no norte da fronteira com a Síria, Gaziantep se tornou um importante centro de acolhida de sírios que fogem da guerra civil em seu país.
 
Depois de ter recebido refugiados e ativistas da oposição, teme-se também a presença de extremistas.
 
Esta semana, o sudeste da Turquia foi alvo de três atentados que deixaram 14 mortos. O governo responsabilizou a guerrilha do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o PKK curdo.
 
O ataque ocorre no mesmo dia em que primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, declarou que a Turquia quer ser "mais ativa" na crise síria nos próximos meses.
 
"Queiramos, ou não, (Bashar) Al-Assad é hoje um dos atores" da guerra nesse país e é possível "falar com ele sobre a transição", sugeriu Yildirim, excluindo, porém, que a Turquia vá ser o país que fará isso.
 
"O derramamento de sangue deve acabar. Bebês, crianças, pessoas inocentes não devem morrer. Essa é a razão pela qual a Turquia será mais ativa na tentativa de impedir que (esta situação) piore nos próximos seis meses", completou.