'Arma foi plantada', diz ex-deputado e candidato a prefeito de Neves

O político de 66 anos foi detido pela Polícia Militar (PM) na tarde desta quarta-feira (10) portando uma arma de fogo, uma faca e um soco inglês em seu carro


O Tempo

Após sua prisão na tarde desta quarta-feira (10) por porte ilegal de arma de fogo, o ex-deputado Irani Barbosa (PMDB) e atual candidato à Prefeitura de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, concedeu entrevista a O TEMPO nesta quinta-feira (11) e alegou que a arma foi plantada em seu veículo por um dos policiais envolvidos na ocorrência. O motivo para isso, na sua versão, seria o fato de estar  "denunciando a máfia do reboque, em que participam muito policiais". 
Na entrevista, o político afirma que duas motos começaram a seguí-lo e fechá-lo, sendo que ele conseguiu desviar para uma rua lateral após algum tempo. "Quando cheguei ao meu comitê, na sede do partido que fica próxima à uma companhia da Polícia Militar (PM), vi uma viatura vindo em minha direção e um sargento começou a falar que queria revistar meu carro, dizendo que um motoqueiro denunciou que eu apontei a arma para ele", argumenta o político. 
Neste momento ele teria decidido entrar em contato com seu filho, o deputado estadual Iran Barbosa (PMDB), por precaução, devido às denúncias que vem fazendo contra a corporação. "Os pátios estão lotados, todos os dias são várias blitz para pegar carros sem documento, de gente trabalhadora. Mas se você liga no 190 não tem uma  viatura", completa Irani. 
Ainda de acordo com ele, depois de algum tempo chegou a ter um total de 30 policiais para sua abordagem. "O Iran passou a chave para eles fazerem a busca e, quando fui abrir uma das portas, um policial veio com o fuzil e não deixou. Logo depois o sargento teria plantado a arma, segundo o próprio Iran. Temos o vídeo de toda essa ação suspeita. Tudo vai se esclarecer e isso não abala em nada a minha campanha, minha trajetória", completou o candidato. 
A reportagem de O TEMPO solicitou a Irani o vídeo feito pelo deputado estadual que comprovaria que a prova foi forjada, porém, segundo a assessoria de Iran, o parlamentar esteve na tarde desta quinta-feira (11) na Corregedoria da PM em Belo Horizonte e que foi solicitado que a gravação fosse enviada primeiramente para o órgão que investigará a postura dos policiais. 
Durante a entrevista, Irani citou um vídeo que vem circulando desde ontem na internet em que os policiais aparecem filmando o momento de encontro da arma. "Quando o Iran fala que eles plantaram, o tenente fica nervoso e começa a desmontar a arma, limpando ela. Se aquilo servia para me incriminar, porque limpar ao invés de preservar as impressões digitais? Se a denúncia era de que eu estaria armado, porque eu não fui revistado? Até o delegado fez essa pergunta aos PMs na delegacia", afirma. 
Assista ao vídeo: 
Ainda de acordo com o candidato a prefeito, apesar de não ter medo, ele agora anda com um militar e uma moto atrás do seu veículo filmando tudo o que acontece. "Estou receoso, pois isso que vi não é o comportamento da PM que eu conheci. Estou abrindo um processo e quero pedir o afastamento do comandante do 40º batalhão", finalizou. Outro lado Na versão da Polícia Militar (PM), a corporação foi acionada para intervir em uma ocorrência em que o condutor de um veículo apontava uma arma para um motoqueiro na avenida Denise Cristina da Rocha. Ao abordar o veículo, próximo da 204ª Companhia, o candidato a prefeito teria se negado a permitir a busca no interior do veículo, alegando que só o faria na presença de seu filho, deputado estadual, e do comandante do Batalhão. Informado da situação, o comando teria então determinado ao oficial a frente da ocorrência que duas testemunhas fossem arroladas e que toda a ação fosse filmada. E, caso da resistência do político continuasse, que fosse dada voz de prisão em flagrante por desobediência antes da busca ser realizada. "Foi encontrado no seu interior uma arma de fogo, um soco inglês e um canivete com mais de 10 cm de lâmina. Após encontrado o material, o deputado estadual que acompanhava a ocorrência acusou os militares de plantarem a arma no interior do veículo. Importante destacar que toda a atuação da Polícia Militar foi filmada e acompanhada das testemunhas", dizia comunicado divulgado pela corporação. Diante da constatação, foi dada voz de prisão em flagrante a Irani por porte ilegal de arma de fogo e por desobediência. Já sobre as acusações do filho do político, foi registrado um boletim de ocorrência por desacato e calúnia a servidor público no exercício da função. Por fim, o comando afirma que a atuação foi legal e que foi solicitado que os policiais não reagissem às provocações e insultos. "É importante esclarecer que o mencionado candidato a prefeito e seus assessores vem postando em mídias sociais insultos e acusações a atuação da Polícia Militar no município, pasmem, em decorrência das diversas operações policiais preventivas e de combate aos crimes violentos no município, onde procuramos dar visibilidade e aumentar a sensação de segurança da população", concluiu.