Afirmação, ineditismo e derrubada de preconceitos: Brasil consegue melhor campanha da história na Rio-2016

País obtém 19 medalhas, fica em 13º no ranking, revela talentos e mantém hegemonia em algumas modalidades

A Tribuna

O Brasil ficou longe de ser o maior medalhista dos Jogos Olímpicos Rio 2016, viu Estados Unidos, Grã-Bretanha e China conquistarem mais ouros do que o total obtido pelo país e não atingiu a meta de ficar entre os 10 melhores colocados na classificação geral. Ficou em 13º. Decepção? Que nada. Os números mostram que o Brasil tem mais é que se orgulhar do que conseguiu  ao receber as Olimpíadas.
Explica-se: o país conseguiu um total de 19 medalhas, um número que por si só seria mais que suficiente, pois jamais havia sido atingido. Mas tem mais: Só entre medalhas de ouro foram sete. A julgar que tanto em Pequim (2008) quanto em Londres (2012) foram três prêmios máximos, o Brasil, foi sim, muito longe. 
Em número de ouros o Brasil superou inclusive a edição olímpica de 2004, em Atenas, quando obteve cinco medalhas. Só que, no total, foram 10 medalhas naquela edição.
Se a comparação continuar, O Brasil obteve rigorosamente o mesmo números de medalhas de prata e bronze de Sidney, em 2000. Só que naquela edição não veio um ouro sequer.

Sete ouros. E que ouros. Thiago Braz saltou mais alto que todos os concorrentes com a vara. Robson Conceição bateu mais forte para nocautear o tabu das medalhas. Rafaela Silva deu um ippon no preconceito. Kahena Kunze e Martine Grael acenderam a vela. Nas areias de Copacabana Alison e Bruno puseram a bola no chão para levantar a arena na madrugada.

E em duas modalidades o ouro veio com festa extra. O vôlei masculino de quadra superou a desconfiança depois de duas decisões olímpicas perdidas e de ir para a competição com um time em formação, se classificou aos trancos e barrancos, chegou à final diante de uma Itália pronta para ser campeã e...venceu. Mas não foi só isso. Era necessário um placar de 3 sets a 0 para consolidar o momento iluminado do time comandado por Bernardinho e Serginho, que fez brilhar nomes como Lucão, Lipe, Wallace e Lucarelli.

E foi do esporte mais popular e menos acreditado que veio o ouro mais festejado. Até porque era inédito. O futebol estava virtualmente eliminado quando empatou com o Iraque na segunda partida da primeira fase. Reencontrou-se diante da Dinamarca e foi para as fases finais vencer Colômbia e Honduras. Ao chegar à final, tinha pela frente uma outra Alemanha com a mesma lembrança de um doído 7 a 1 na Copa do Mundo de 2014 (mas na semifinal). E foi a hora de Neymar, o jogador mais criticado, brilhar. Bateu a falta que abriu o placar e, após o time sofrer o empate e a decisão ir para os pênaltis, cobrou aquele que daria o ouro inédito ao Brasil. 

Mas não podemos esquecer de Wéverton, que defendeu a quinta cobrança alemã. O mesmo Wéverton que substituiu o contundido Fernando Prass.
E o que falar de Isaquias Queiroz dos Santos? Não ganhou o ouro, mas faturou duas pratas e um bronze em um esporte no qual o Brasil jamais havia obtido medalhas. Em 2016, foram três só na canoagem. Foram três só para ele. 

Arthur Zanetti não repetiu o ouro de Londres na ginástica artística, mas pegou uma prata, assim como Diego Hypolito, que caiu em prantos depois de cair em Pequim e Londres. Chorou no ombro de Arthur Mariano, medalha de bronze.
E teve bronze no judô. Rafael Silva e Mayra Aguiar foram os responsáveis pela festa, assim como Poliana Okimoto na maratona aquática, com outro bronze e Maicon Siqueira no taekwondo.

E falaram que ia sair tiro durante os jogos olímpicos. E teve mesmo. Ainda bem, porque era esportivo e Felipe Almeida garantiu a primeira medalha brasileira no Rio, de prata.
A meta não foi atingida e o Brasil ficou longe dos campeões. Ótimo. Porque o país formou novos e resgatou antigos vencedores.