Hoje em Dia
Crime que tem desafiado as forças de segurança do Estado, os roubos em residências tiveram salto de 30% em Minas nos quatro primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2015. Não bastasse o aumento das ocorrências, novo alerta é dado pela própria polícia. Em períodos de férias, como julho, a ação dos bandidos é ainda mais recorrente.
Ladrões se aproveitam das fragilidades deixadas pelas famílias que programam uma viagem para arrombar a casa delas. Medidas simples, no entanto, podem evitar que o tão aguardado passeio nos dias de recesso escolar ou do trabalho se transformem em pesadelo. Comunicar vizinhos da ausência prolongada e observar situações vulneráveis são algumas das dicas.
A experiência desagradável foi vivida pela enfermeira Sônia Rodrigues de Farias Pilo, de 52 anos. Recentemente, três menores de idade invadiram a casa dela, no bairro Guarani, região Norte de BH. Os infratores levaram roupas, eletrônicos e brinquedos.
“Viajei por cinco dias para visitar minha família na Paraíba. Quando retornei, me deparei com a residência vazia, e o que sobrou foi revirado. É uma situação de desespero”. A enfermeira contou que, na época, o imóvel não tinha equipamentos de segurança, mas que depois do crime ela mandou instalar cerca elétrica e tetra chave.
Drama semelhante foi vivido por uma professora da UFMG. Moradora do bairro Castelo, na Pampulha, a docente de 45 anos, que pede para não ser identificada, viajou de férias para os EUA no ano passado. Quando retornou, após duas semanas de descanso, encontrou o apartamento arrombado.
Roubo em residências cresce 30% no Estado e julho é um dos meses mais críticos
Reforço - Professora da UFMG teve casa arrombada e trocou uma das portas por outras mais resistente
“Levaram todas as minhas joias e um videogame. Fiquei sabendo, por meio da síndica do prédio, que me enviou uma mensagem”. O edifício dela tem cerca elétrica e o apartamento, tetra chave. No entanto, o reforço não inibiu a ação dos bandidos. “Depois disso, providenciei outras medidas de segurança, como a troca da porta, colocando outra mais resistente”. Um Boletim de Ocorrência (BO) foi feito, mas nada recuperado.
PM orienta população a adotar medidas de segurança
A Polícia Militar garante que tem atuado em diversas frentes para coibir a prática criminosa. Chefe da Sala de Imprensa da PM, o capitão Flávio Santiago disse que as prisões têm ocorrido com frequência. “No entanto, a questão da segurança pública carece uma discussão mais ampla, sendo necessário rever a legislação atual. Na maioria das vezes, a pessoa presa já cometeu esse crime outras vezes, mas estava solta”.
Flávio Santiago confirma que, nas férias, os chamados aumentam, principalmente em locais onde medidas de proteção não foram tomadas. Ele destaca a necessidade de interação entre os moradores. “A polícia estará sempre presente. Mas, quando acontece esse contato entre as pessoas não há espaço para o crime. Nós somos as melhores armas um do outro. Durante o dia, o vizinho olha a minha casa e, à noite, eu olho a dele”.
Segundo o capitão, a tecnologia é ferramenta indispensável. Utilização da chamada Rede de Vizinhos Protegidos e instalação de equipamentos de segurança, como câmeras, alarmes e portão eletrônico estão dentre algumas das possibilidades.
Especialistas alertam para a exposição nas redes sociais
Em uma época em que as redes sociais fazem cada vez mais parte do dia a dia das pessoas, deixando todos conectados, ter cuidado ao se expor na web é fundamental, alertam a polícia e especialistas em segurança pública.
De acordo com o capitão Flávio Santiago, compartilhar no Facebook o local onde o usuário vai viajar – o popular check-in – deve ser feito com cuidado. “A PM tem batido constantemente nessa tecla. É importante não informar a rotina nas redes sociais. O ideal é não colocar fotos, mas se for algo que a pessoa goste muito de fazer, publique quando retornar das férias”.
Com exatos 30 anos de dedicação integral à carreira militar e atualmente na reserva da corporação, a especialista em segurança pública, coronel Cláudia Romualdo destaca que as redes sociais são importantes, mas, infelizmente, algumas pessoas fazem o uso incorreto da ferramenta.
“Percebe-se uma exposição elevada da vida. Muitas vezes, os bandidos identificam, por meio das postagens, informações sobre aquela família e a residência dela, o que facilita o arrombamento”. Por questões de segurança, ela optou por não participar de redes sociais.
Arte crime