Pedestres se arriscam atravessando em passarelas precárias e mal iluminadas em Belo Horizonte

 Hoje em Dia

ALÉM DOS ASSALTOS – Adalberto Figueiredo reclama da má conservação do elevado 
 
FALTA PROTEÇÃO – Parte da estrutura de concreto no Anel Rodoviário veio abaixo
FALTA PROTEÇÃO – Parte da estrutura de concreto no Anel Rodoviário veio abaixo
Projetadas para garantir uma travessia segura, passarelas de Belo Horizonte estão repletas de falhas, oferecendo riscos diários aos pedestres. Pisos danificados, grades de proteção aos pedaços, iluminação insuficiente e inexistência de cobertura são apenas alguns dos exemplos de precariedade. Quem utiliza as estruturas também clama por mais policiamento para diminuir a constante sensação de insegurança. 
A falta de manutenção, o temor de ser assaltado e até mesmo a preguiça levam muitas pessoas a ignorar os elevados, arriscando a própria vida ao atravessar ruas e avenidas em meio ao fluxo intenso de veículos. A situação remete a outro problema mostrado na edição de ontem do Hoje em Dia. Em vários corredores de tráfego, grades de divisão das pistas estão danificadas, o que também contribui para o trajeto perigoso.
Há oito anos, o mecânico de refrigeração Juliano Mendes Lana, de 28, passa pela passarela da BR-381, na altura do bairro Jardim Vitória, Nordeste da cidade. Ele reclama da estrutura. “Precisa de reforma urgente. Nunca vi alguém fazendo a manutenção. Muitas vezes são os próprios comerciantes da região que fazem reparos e soldas para amenizar a situação”.
A estudante Shayenny Silva, de 18 anos, conta que as poucas grades que ainda têm no local estão bambas e enferrujadas. “Até uma pessoa já morreu no local”, diz.
Passarela no Anel
ALÉM DOS ASSALTOS – Adalberto Figueiredo reclama da má conservação do elevado
Criminalidade
A falta de iluminação também assusta os moradores. Há 20 anos residindo na região, Adalberto Figueiredo dos Santos, de 60, afirma que o local é perigoso. “Várias pessoas já foram assaltadas na passarela”.
Responsável pelo policiamento no Anel Rodoviário, o tenente Pedro Henrique Barros reconhece o aumento dos assaltos no local nos últimos meses. Para coibir criminosos, operações diárias são realizadas, inclusive em conjunto com batalhões de áreas. Patrulhamento no entorno e abordagens periódicas são realizados. 
Também no Anel, a passarela que liga os bairros Maria Goretti e São Gabriel, na região Nordeste, está com o concreto quebrado em vários pontos, com ferragens expostas. Na descida da estrutura, uma parte dela caiu.
A dona de casa Lilian Maria Clarinda, de 50 anos, chama a atenção para o risco de acidentes. “A passarela não tem segurança. Quem passa pode cair ou se machucar nas ferragens. Além disso, tem muito lixo e várias pessoas já foram assaltadas”.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pela manutenção dos equipamentos públicos no Anel Rodoviário, informou que um edital está em fase de elaboração para contratar a revitalização das passarelas, mas sem data para publicação.
Passarelas
CRISTIANO MACHADO – Estrutura sem teto expõe pedestres à chuva no Sagrada Família 
Sem cobertura
Já na avenida Cristiano Machado, o equipamento público que fica na altura do bairro Sagrada Família, está sem a cobertura, dificultando o trajeto dos pedestres no período de chuvas.
Em nota, a Secretaria Regional Nordeste informou que a passarela foi vistoriada e “apresenta bom estado de conservação”. A assessoria esclarece que faz “pequenas intervenções”, como recuperação de piso e de guarda-corpo. Demandas de maior complexidade, porém, como a cobertura das passarelas, são enviadas para a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap). Por sua vez, o órgão disse que há quatro anos não é preciso fazer reparos do tipo.
Região Centro-Sul
Problemas também foram encontrados numa passarela da avenida Nossa Senhora do Carmo. Por lá, piso quebrado e falta de iluminação.
Passarelas
PROBLEMA – Iluminação é criticada por quem utiliza a passarela na Nossa Senhora do Carmo
A Regional Centro-Sul garantiu que a estrutura será vistoriada ainda nesta semana. Identificando falhas, a manutenção será programada. A última intervenção – pintura da base, muretas e gradis da passarela – foi em 2013 ao custo de R$ 10 mil.