Jovens confessam que tiro que matou menino de 13 anos em São Gonçalo do Pará foi acidental

Amigos da vítima apresentaram controvérsias no depoimento, diz delegado.
Crime ocorreu em uma comunidade de São Gonçalo do Pará.

 

Polícia apresentou jovens que mudaram a versão sobre a morte de adolescente (Foto: Reprodução/TV Integração)

O delegado regional de Pará de Minas, Carlos Henrique Bueno, esclareceu na manhã desta quarta-feira (6) fatos sobre o homicídio do adolescente de 13 anos, João Victor de Castro Lopes Rachid, ocorrido no dia 23 de junho no povoado de Água Limpa, em São Gonçalo do Pará. Após investigações, os dois amigos de 19 e 29 anos, que estavam com a vítima no dia da morte, confessaram ter atirado acidentalmente no garoto.
Nos primeiros depoimentos, eles mantiveram a versão de que os três haviam sido vítimas de um assalto em uma estrada e que os criminosos se irritaram com João e, por isso, o mataram. Os dois foram apresentados pelo delegado em Pará de Minas e encaminhados ao Presídio Pio Canedo.
De acordo com a polícia, a dupla agora mantém a versão de disparo acidental. Contaram que quando estavam no sítio cuidando de animais, uma porca ficou nervosa com a presença dos três e para contê-la o jovem de 19 anos atirou. Contudo, o disparo atingiu João Victor. Com medo de represálias, eles apresentaram a versão mentirosa. A arma é uma garrucha e pertence ao jovem de 29 anos que não tem porte. Ele tem passagens por receptação.
Após as confissões, o delegado garantiu que irá apurar todos os detalhes da versão para constatar se o disparo foi mesmo acidental, se o homicídio foi culposo ou doloso.
Controvérsias
O delegado Carlos Henrique detalhou que a equipe de policiais começou a desconfiar de que a versão não era verdadeira após observar várias controvérsias nos depoimentos dos dois. “Quando fizemos as oitivas, eles já apresentaram bastante nervosismo. Isso foi notado pela nossa equipe e iniciamos os procedimentos. Percebemos muitas contradições a todo momento. Levamos os dois até o local onde possivelmente teria ocorrido a suposta tentativa de latrocínio e nesse momento houve mais contradição. Eles mostraram locais divergentes de onde teria ocorrido o crime”, contou o delegado.

Os dois foram levados até o suposto local separadamente. Carlos Henrique destaca que se trata de um sítio que tem duas entradas com porteiras. “O primeiro apontou um local mais próximo da estrada e o outro apontou um local mais próximo da entrada do sítio. Nesse momento não houve outra saída a não ser confessar o crime”, destacou.
Primeira versão
Na ocasião da morte os dois suspeitos disseram que haviam ido até a comunidade para tratar de cavalos. Quando os três voltavam para casa,  foram abordados por criminosos que queriam o carro. Neste momento os jovens saíram do veículo, mas o adolescente foi atingido no peito por disparo de arma de fogo que teria sido efetuado por um dos ladrões. “A versão é que o João demorou a descer e falou alguma coisa que tivesse irritado os bandidos”, disse o tenente Marcelo Oliveira.

O adolescente foi levado para Hospital São João de Deus (HSJD), em Divinópolis, pelos próprios suspeitos, porém não resistiu aos ferimentos no peito.

Fonte: G1