Gizmodo Brasil

Dois planetas descobertos fora do sistema solar podem ser rochosos, aumentando as possibilidades de que eles possam abrigar vida. Os planetas, localizados orbitando a estrela anã Trappist-1, em maio, estão em zona habitável, ou seja, têm uma distância tal de sua estrela que as temperaturas favorecem a existência de água líquida, condição essencial para o surgimento de vida.
De acordo com o estudo, publicado na última edição da revista científica Nature, a análise da atmosfera dos planetas deu alguns indícios de que eles podem ser parecidos com a Terra ou com outros planetas rochosos, como Vênus ou Marte.

Os telescópios localizam planetas ao mirar suas lentes para as estrelas, buscando por um fenômeno chamado trânsito, que é a passagem dos planetas em frente às estrelas. Como os planetas não possuem luz própria, cada vez que o instrumento capta uma diminuição da luminosidade da estrela significa que algum objeto está passando na frente dela. Assim, ao captar essa sombra, o telescópio identifica um possível planeta.
Os cientistas conseguiram captar mais detalhes dos dois planetas porque eles passaram juntos na frente de sua estrela, em um movimento raro chamado trânsito duplo – e o telescópio Hubble estava a postos para capturar o fenômeno.
“Agora, pela primeira vez temos análises espectroscópicas de um trânsito duplo, o que nos permite ‘entrar’ na atmosfera dos dois planetas ao mesmo tempo”, afirmou Julien De Wit, um dos autores do estudo.
Durante as análises, os cientistas perceberam que a atmosfera dos planetas não era grande e leve como a vista em planetas gasosos como Júpiter, mas sim parecida com a da Terra ou de Vênus. Ou seja, possivelmente têm atmosferas de planetas rochosos. “Os cenários mais plausíveis são três: os planetas podem possuir atmosferas como a de Vênus, dominada por dióxido de carbono; parecida com a Terra, repleta de nuvens pesadas; ou como a de Marte, fina”, afirmou o líder da pesquisa.
Para descobrir exatamente como é a atmosfera e a composição dos planetas, os pesquisadores irão detalhar as análises em pesquisas futuras. O objetivo é buscar indícios de condições propícias à existência de água líquida – e, possivelmente, de alguma vida rudimentar.