Égua é maltratada por dono e causa revolta em morador do Gutierrez em BH

Aposentado afirma que animal é constantemente abandonado por dono em um lote vago, sem comida e água

O Tempo

Égua é maltratada por dono e situação causa revolta em morador do Gutierrez

Indignado com os maus tratos de um carroceiro contra sua própria égua, um morador do bairro Gutierrez, na região Oeste de Belo Horizonte, não sabe mais o que fazer para acabar de vez com o sofrimento do animal. Constantemente abandonada pelo dono em um lote vago, sem comida e água, a égua conta apenas com a boa vontade e carinho de um senhor aposentado, de 63 anos, morador da rua Conselheiro Andrade Figueira, que leva para o bicho diariamente hortaliças e legumes doados por um sacolão.
“Quando não precisa do bicho para trabalhar, ele (carroceiro) deixa a égua sozinha por dias nesse lote em frente ao meu prédio, sem qualquer alimento. Já conversei com ele. Expliquei que isso é maldade, mas não resolveu”, conta o senhor, que não quis se identificar. “Passei então a dar comida para o animal. Ligo para o sacolão e recebo deles aquelas verduras que não estão mais bonitas para vender, mas que ainda estão fresquinhas”, ressalta.
Nessa quinta-feira (21), o senhor diz que encheu o porta-malas de seu veículo com comida para a égua. “Não durou um dia. Ela comeu tudo. Repolho, couve, mandioca, abóbora. Tadinha. Ela estava com muita fome. È muita crueldade desse carroceiro”, diz.
A Polícia Militar (PM) e a prefeitura já foram procuradas pelo senhor, que tentou denunciar os maus tratos. Todas as tentativas foram frustradas. “Fui em diversos órgãos da administração municipal e ninguém tomou a menor providência. Minha mulher também ligou para esses serviços de proteção aos animais, mas também não adiantou nada”, lamenta.
Além de passar fome, a égua sofre ferimentos por causa da corda na qual é amarrada. “Um faxineiro de um prédio viu ela ficar enrolada nessa corda e tomar um tombo. Minha vontade é deixar ela fugir, aí pelo menos a polícia deve ir atrás. Porque o normal seria alguém da prefeitura vir aqui e resolver essa triste situação”, conclui.
Lei prevê multa
Sancionada na última quarta-feira (20) pelo governador Fernando Pimentel, a lei 22.231/2016 prevê multa de até R$ 3 mil para quem for flagrado ou denunciado por maltratar ou abandonar animais em Minas Gerais.
A iniciativa, pioneira no Estado, é uma demanda antiga dos ativistas da proteção animal e se torna mais um mecanismo para fortalecer a rede contra os maus tratos, que ainda tem lacunas importantes a serem preenchidas, como a destinação dos animais vítimas de maus tratos, geralmente, recolhidos por ONGs ou protetores independentes.
A lei considera maus tratos qualquer ato ou omissão que atente contra a saúde ou integridade física e mental do animal. Isso significa que mesmo as ações que não causem ferimentos físicos no animal são passíveis de multa, como abandoná-lo, ato recorrente em muitas cidades, principalmente em vias movimentadas e estradas.
Em casos de maus tratos que não gerem lesões ou a morte do animal, o infrator deverá desembolsar R$ 900,00 para pagar a multa. Se o ato provocar lesões ou ferimentos o valor sobe para R$ 1.500, e se causar a morte do animal, R$ 3 mil. Estes valores podem ainda aumentar em até 1/6 quando o crime for direcionado a mais de um animal. Além disso, o custeio das despesas como atendimento veterinário, também cabe ao infrator.