Cavendish desembarca no Rio e é detido pela Polícia Federal

Ele estava em Ibiza, na Espanha, quando a operação foi deflagrada; empresa que presidia teria lavado R$ 307 milhões 

Folhapress

A defesa de Cavendish informou que vai tomar providências judiciais para reverter a decretação

O empresário Fernando Cavendish foi preso no final da madrugada deste sábado (2) ao desembarcar no aeroporto internacional Tom Jobim, na zona norte do Rio.
Ele foi capturado por policiais federais logo após deixar a aeronave, que chegava da Itália.
Dono da Delta, Cavendish deixou o aeroporto sem dar entrevista. De Lá, ele seguiu para o IML (Instituto Médico Legal) antes de entrar no presídio Ary Franco, em Água Santa, também na zona norte da cidade. O empresário estava na Europa desde o dia 22.
Ele é acusado de integrar um esquema que, segundo o Ministério Público Federal, envolveu 18 empresas de fachada para lavar ao menos R$ 370 milhões de dinheiro público recebidos pela Delta.
Na mesma investigação, denominada Operação Saqueador, a Polícia Federal prendeu na quinta (30) os empresários Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e Adir Assad. Eles são acusados de serem os donos das empresas usadas no esquema de desvios.
Nesta sexta (1°), o desembargador Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), transformou em prisão domiciliar a prisão preventiva de cinco envolvidos na Operação Saqueador. O dono da Delta foi beneficiado pela decisão.
Os empresários Marcelo Abbud e Cláudio Abreu também estão presos por causa da Operação Saqueador. Todos poderão ser soltos ainda neste sábado.
O Ministério Público Federal (MPF) informou que vai recorrer da decisão.
Na quinta, policiais aprenderam documentos na casa de Cavendish e na sede da empresa.
O advogado do empresário chegou no presídio, mas ainda não se pronunciou sobre a prisão do cliente.
Segundo o Ministério Público, entre 2007 e 2012, a Delta teve mais de 96% de seu faturamento vindo de verba pública -algo em torno de R$ 11 bilhões, sendo R$ 6,6 bi de contratos com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte).
Desse valor, ao menos R$ 370 milhões teriam sido desviados por meio de pagamentos a 18 empresas de fachada abertas por Cachoeira e Assad.
Algumas delas, como a S.P. Terraplanagem Ltda, de Assad, recebeu R$ 47,3 milhões, dinheiro que nunca foi usado em qualquer obra, de acordo com os policiais.
Segundo investigadores, as delações premiadas do ex-senador Delcídio do Amaral e de executivos da Andrade Gutierrez negociadas na Operação Lava Jato trouxeram novos indícios da relação entre o dono da Delta e Cachoeira no pagamento de propina a agentes públicos.
Na delação da Andrade, executivos citaram o ex-governador do Rio Sérgio Cabral como beneficiário de propinas por obras do Maracanã, do Comperj e do Arco Metropolitano, o que ele nega. A Delta participou das três obras.
A ação do MPF é um desdobramento da Operação Monte Carlo, que em 2012 apontou indícios do envolvimento de Cachoeira com Cavendish no desvio de verbas de obras públicas no Centro-Oeste.
À época, esses crimes não geraram condenações na Justiça para Cavendish. Cachoeira foi sentenciado a 39 anos de prisão pelos crimes de peculato, corrupção, violação de sigilo e formação de quadrilha, mas recorria em liberdade.

TRANSPOSIÇÃO DE RIO E ARENA DO PAN

Segundo a polícia, a Delta chegou a receber dinheiro público para executar obras que não saíram do papel, como a transposição do Rio Turvo, no sul do Rio. A empresa recebeu R$ 80 milhões pela obra.
A investigação apontou também fraudes na construção de estradas, limpeza de rios e na construção do parque aquático Maria Lenk para os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. A arena também será usada na Olimpíada, para as provas de salto ornamental.