Belo Horizonte tem um veículo furtado ou roubado a cada 72 minutos

Média leva em conta dados do primeiro semestre deste ano; recuperações também cresceram

O Tempo

Cenário. Dados da Polícia Civil mostram um total de 3.703 ocorrências de furtos e roubos em BH

A cada 72 minutos, um veículo foi roubado ou furtado em Belo Horizonte, levando em conta os registros do primeiro semestre deste ano. Essas ocorrências aumentaram 24% em relação a igual período do ano passado: foram 3.703 em 2016, contra 2.974 em 2015. Segundo a Polícia Civil, o aumento desses crimes se deve a fatores como a crise econômica e a existência de um mercado lucrativo de desmanche e revenda de peças usadas.
A corporação também informou que o índice de recuperação subiu 16% na comparação dos dois semestres: de 2.105 veículos para 2.445. Mas um dos principais obstáculos para que esse resultado seja potencializado é a falta de informações sobre o crime em tempo hábil, segundo o delegado e coordenador de Operações Policiais do Departamento de Trânsito do Estado de Minas Gerais (Detran-MG), Adriano Assunção.
“Às vezes, a pessoa faz só o acionamento (da Polícia Militar) via telefone, depois que é roubada ou furtada, e não procura a unidade para prestar todas as informações. Nós fazemos as investigações, mas nem sempre temos toda a informação o mais rápido possível, e isso pode dificultar”, disse. Segundo ele, é necessário ir à delegacia para ratificar o furto ou o roubo em até 72 horas. Caso contrário, após esse período, o veículo passa a constar no sistema sem qualquer impedimento.
Em alta. A estudante Luísa Tannure, 24, está entre as vítimas que não conseguiram recuperar seu carro, roubado no último dia 30, no bairro Caiçara, na região Noroeste da capital, quando chegava no estágio, por volta das 13h. “Estava guardando o celular na bolsa, pronta para sair do carro, quando apareceu um homem armado e me mandou deixar tudo lá dentro e correr”, contou. Segundo ela, o policial que a atendeu disse que era a terceira ocorrência de roubo de carro no bairro naquele dia.
O Caiçara, segundo a PM, é um dos principais alvos de operações, devido ao alto número de furtos e roubos, assim como o Padre Eustáquio, na mesma região. “Fazemos o mapeamento dos crimes e aumentamos a presença de policiais nesses locais para fazer a prevenção”, afirmou o chefe da sala de imprensa da corporação, o capitão Flávio Santiago.
Conforme o delegado, o aumento do número de furtos e roubos de veículos deve levar em consideração a queda dos crimes registrada no ano passado, quando os índices caíram 15% em comparação com 2014. “Quando temos uma queda expressiva, qualquer aumento, mesmo que seja no ano seguinte, como aconteceu em 2016, já serve de alerta”.
Segundo ele, o aumento dos crimes está ligado, em parte, à crise econômica. “Há casos que verificamos em que as pessoas se associaram a outras para praticar esse tipo de crime em razão da sua condição. Teve um caso recente que conseguimos prender um autor de roubo de carro que tinha sido despedido do emprego há pouco tempo”, contou. Outro motivo, conforme o delegado, é o fato de que crimes de furto e receptação, não precedidos de violência ou ameaça, possibilitarem liberação mediante pagamento de fiança, o que favorece a reincidência.
Detran-MG
Mudança. A partir de hoje, o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) localizado na avenida João Pinheiro, na região Centro-Sul da capital, terá horário de atendimento ampliado.
Alteração. As senhas passarão a ser distribuídas até as 17h. Assim, haverá uma hora a mais para o atendimento presencial. A sede do departamento realiza serviços de habilitação e, por dia, recebe 900 pessoas, em média.
Outros canais. O cidadão pode consultar o site do Detran (detran.mg.gov.br), entrar em contato pelo telefone 155 ou ainda baixar o aplicativo para celulares MGApp, para sistemas IOS, Android ou Windows Phone.

Análise

Especialista defende melhor estrutura para investigação

Para o especialista em segurança pública Jorge Tassi, é necessário atacar o comércio paralelo de peças e focar na fiscalização da venda de veículos seminovos, além de incrementar a estrutura da Polícia Civil. “A corporação não tem a estrutura necessária para a investigação e não consegue dar conta de toda a demanda”, disse.
Segundo o delegado Adriano Assunção, a estrutura atual é “muito boa”. “Obviamente todo o acréscimo de pessoal, estrutura e tecnologia é muito bem-vindo, mas a gente tem uma perspectiva boa agora, porque vão formar na Academia cerca de 1.100 policiais civis”. Assunção informou que são realizadas operações para desbaratar quadrilhas especializadas.
Suporte legal. Ainda de acordo com o delegado, a Lei do Desmonte é a principal aposta na redução de furtos e roubos de veículos. A legislação determina que as empresas se credenciem ao Detran para a realização da atividade de desmontagem e identifiquem as peças dos veículos a serem revendidas.
“Quando eles desmontarem esses veículos, cada peça vai receber uma etiqueta que identificará a empresa que comprou, a empresa que desmontou, de qual leilão veio e qual é o chassi do veículo. O consumidor vai ter segurança de que está comprando uma peça legalizada, que veio de um desmonte regular, e não de um desmanche”, afirmou.

O sistema está em fase de testes e deve ser concluído no dia 2 de janeiro do próximo ano. (RM)