Hoje em Dia
 
Existe um plano em curso para, ao menos, minimizar os reflexos da crise do setor siderúrgico na cidade de Jeceaba, no interior de Minas, que abriga a nova fábrica de tubos em aço sem costura da Vallourec Tubos do Brasil.
Hoje, por conta do baixo ritmo de produção da usina, a cidade convive com desemprego e fechamento de empresas comerciais e de serviços.
Em entrevista durante o Congresso Brasileiro do Aço, que aconteceu na semana passada em São Paulo, o presidente da Vallourec Tubos do Brasil, Alexandre de Campos Lyra, afirmou que o grupo controlador francês, a Vallourec, planeja fechar dois laminadores de tubos na França e transferir a produção para a usina de Jeceaba. Com isso, a unidade mineira se transformaria de fato em plataforma mundial de exportação do grupo, conforme seu planejamento original.
Lyra não quis adiantar o que a transferência de produção significará em termos de volume, dada a volatilidade da demanda internacional por tubos. Mas disse que trabalha para que a transferência de produção esteja concluída no final de 2017. Atualmente, afirmou, os tubos produzidos em Jeceaba estão em fase de qualificação técnica e de qualidade na Europa. A partir da aprovação, a produção será paulatinamente transferida para Jeceaba.
Ele lembrou que isso não significará elevação abrupta da produção, já que o principal setor consumidor dos tubos produzidos em Jeceaba, o de petróleo e gás, atravessa uma das maiores crises mundiais de sua história, com o preço do barril achatado e congelamento de investimentos em todos os principais mercados.
“Os investimentos estão parados nos principais centros produtores: nos Estados Unidos, no Golfo do México, no Mar do Norte e também no pré-sal do Brasil. Mas temos alguma perspectiva no Oriente Médio, onde os investimentos são mantidos por empresas estatais ainda capitalizadas”, disse.
Lyra ainda disse que está mantido o plano do encerramento por completo da área de redução (altos-fornos) da unidade da Vallourec do Barreiro, em Belo Horizonte. Um dos altos-fornos da unidade já foi desligado no ano passado, e o outro será abafado em 2018. Toda a produção de gusa e aço será transferida para Jeceaba, e no Barreiro ficarão apenas duas linhas de laminação e as áreas de acabamento. O número de empregados na unidade, que hoje é de 3,2 mil, será reduzido em 250. “Mas não teremos demissões. Os cortes acontecerão naturalmente pelo turn over (aposentadorias e pedidos de demissão)”, afirmou.