Valério chega ao MP para prestar depoimento sobre mensalão tucano

Empresário vai propôr delação premiada que pode implicar mais de 20 nomes de vários partidos políticos; promotoria deve aceitar colaboração

O Tempo

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza chegou, em um carro da Getap, às 9h13 desta terça-feira (21) ao prédio do Ministério Público de Minas Gerais, para prestar depoimento sobre o mensalão tucano. Lá, ele se encontrou com seu advogado.
Ele será ouvido por três promotores. De acordo com informações antecipadas pela coluna A.parte do jornal O TEMPO nesta terça, o órgão deve aceitar a proposta de delação premiada do operador sobre o esquema que teria irrigado ilegalmente a campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo (PSDB) em 1998. A proposta de Valério foi antecipada com exclusividade pelo portal O TEMPO no último dia 16.
Valério é réu no processo que investiga as ilegalidades operadas por tucanos no Estado e teria prometido informações que ajudarão os investigadores a elucidar o caso. Seu acordo teria potencial para implicar políticos com e sem foro privilegiado e nomes que ainda não teriam aparecido nas apurações do suposto esquema criminoso. Foi ventilado que o empresário deve denunciar mais de 20 nomes, de diversos partidos políticos, em sua delação.

Entre os pedidos de Marcos Valério em troca de informações de interesse dos investigadores do mensalão mineiro estaria a transferência para a Apac de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. Detido no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, ele já tentou uma transferência para outra Apac, em Nova Lima, no ano passado, mas o pedido foi negado, já que ele não possuía residência na cidade.
Desmembrado em três processos na Justiça de Minas Gerais, o mensalão mineiro já levou à condenação, em primeira instância, do ex-presidente do PSDB e ex-deputado federal Eduardo Azeredo. Ele foi sentenciado a 20 anos e dez meses de prisão e recorre em liberdade. Em outra ação, o ex-senador Clésio Andrade, candidato a vice-governador na chapa de Azeredo em 1998, é processado, mas ainda não houve decisão da Justiça. Na terceira ação penal, são sete réus, incluindo Marcos Valério.
Em relação ao mensalão do PT, no nível nacional, como Marcos Valério já foi condenado e cumpre pena, não haveria mais espaço para uma delação premiada, como chegou a ser aventado inicialmente. O empresário, preso desde novembro de 2013, foi condenado a mais de 37 anos de prisão por corrupção ativa, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O operador do esquema, no entanto, já se ofereceu para contribuir com esclarecimentos de fatos revelados na operação Lava Jato.