Usuários de ônibus em BH usam "kit roubo" para driblar assaltantes

Assaltos têm sido frequentes na avenida Nossa Senhora do Carmo, na altura do Morro do Papagaio

O Tempo

Avenida Nossa Senhora do Carmo é um dos alvos mais frequentes dos assaltantes

Usuários do transporte coletivo de Belo Horizonte estão adotando um "kit roubo" para tentar escapar dos assaltantes que abordam os ônibus que passam pela avenida Nossa Senhora do Carmo, na altura do Aglomerado do Morro do Papagaio, na região Centro-Sul.
"Várias pessoas, como eu, estão criando um "kit roubo", com itens secundários para entregar ao assaltante, caso necessário. Além disso, tenho utilizado porta-dólar para carregar documentos e cartões", relata a consultora de gestão Juliana Loures, de 25 anos.
Apesar de cômico, a ideia do kit revela um lado não tão engraçado que é a insegurança diária de quem depende do serviço, como Claudia, de 29 anos. Ela conta que foi assaltada três semanas seguidas no mesmo ônibus, da linha 2104 (Nova Gameleira/BH Shopping) quando voltava do trabalho. "E duas das vezes eu tenho certeza que era o mesmo assaltante. Depois disso, eu pego outra linha. Todo dia faço uma rota diferente para evitar pegar a avenida Nossa Senhora do Carmo. Gasto mais tempo indo e voltando do trabalho, mas pelo menos faço o caminho relativamente tranquila", afirma a recepcionista que trabalha em Nova Lima.
Além de mudar o trajeto, ela explica que usa a estratégia do "kit" para se prevenir dos assaltos. "Não ando com nada de valor. A gente brinca que tem um "kit roubo". Agora, só uso uma bolsa menor transpassada no peito. Uso também um porta-dólar, onde eu guardo no meu corpo coisas como o meu celular. Já avisei para minha família, que não precisa nem me ligar nos horários que eu tô indo ou voltando do trabalho, porque eu não atendo", afirma Claudia, que pediu para não ter seu sobrenome revelado.
Morando há quatro anos em Belo Horizonte, a paraguaia Irma Venlastiqui, de 29 anos, também passou a carregar menos coisas para o trabalho, desde quando sofreu um assalto no fim de maio, também na linha 2104, quando passava pela avenida Nossa Senhora do Carmo."Deixo o kit para o ladrão, com coisas que tenham menos valor e guardo minhas coisas mais escondidas, como crachá da empresa. Além disso, uso um celular de modelo mais antigo", afirma a recepcionista.
Cansada dos frequentes roubos, Juliana recorreu a Prefeitura de Belo Horizonte para buscar alguma solução. "Abri uma manifestação na ouvidoria do site da prefeitura para questioná-los sobre quais ações estão sendo realizadas para tentar sanar este problema. Não consegui fazer a reclamação na parte de violência, por isso mandei para o setor de transportes públicos mas ainda não tive resposta", conta a consultora.
A Prefeitura de Belo Horizonte informou que, de acordo com a Ouvidoria, o sistema não apresenta nenhum problema técnico. Sobre a demanda enviada por Juliana, o órgão esclarece que "após o registro da demanda a resposta pode ser dada em até 11 dias úteis, podendo este prazo ser prorrogado em até mais 5 dias úteis, como prevê a instrução normativa. No caso da demanda da cidadã, ela será analisada e encaminhada para a resolução necessária. Contudo, vale ressaltar que assaltos a ônibus são uma questão de segurança pública, por isso, é válido o acionamento da Polícia Militar para avaliar a segurança na região citada".
A reportagem de O Tempo entrou em contato com o 22° Batalhão da Polícia Militar, responsável pela região Centro-Sul e aguarda retorno.