Sindicato de policiais de PE aponta interferência política em investigação de morte de alvo de operação



Estadão
O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) sugere que há “interferência política” nas investigações da morte do empresário Paulo César Morato, cujo corpo foi encontrado em um motel em Olinda, região metropolitana do Recife, um dia após a deflagração da Operação Turbulência. A Polícia Federal investiga esquema de desvio de recursos para alimentar campanhas do PSB, inclusive a do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em um acidente de avião em 2014. Morato era alvo da operação e estava foragido.

“A diretoria do Sinpol tomou conhecimento que peritos papiloscopistas (…) foram impedidos de realizar perícia no quarto do motel Tititi, onde foi encontrado o corpo do empresário Paulo César de Barros Morato”, diz o sindicato em nota. A tentativa de perícia aconteceu na última quinta-feira, 23. “São muitas questões graves que envolvem o episódio, sobretudo por se tratar de uma testemunha que aparece misteriosamente morta, pouco depois de ter sua prisão preventiva decretada”, pontua o comunicado.

O texto diz ainda que “beiramos o fascismo ou qualquer outro regime ditatorial quando o Estado se ‘auto sabota’ para atender interesses políticos e particulares, favorecendo a corrupção e a ocultação de graves crimes”.

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco respondeu às acusações também em nota, afirmando que “todas as perícias necessárias e solicitadas pela autoridade policial responsável pelo inquérito foram coletadas pela equipe de peritos que estiveram no local do crime, acompanhando a Força Tarefa do DHPP na noite da quarta-feira, 22”, ou seja, na véspera da proibição.

“Uma equipe de peritos papiloscopistas se dirigiu espontaneamente e sem ordem superior na manhã da quinta-feira, 23, ao motel onde o empresário Paulo Cesar Morato foi encontrado morto, a pretexto de realizar uma perícia complementar no local, razão pela qual recebeu ordem para retorno”.