Polícia Civil investiga estupro coletivo de universitária de 19 anos em Bom Despacho

Hoje em Dia

A Polícia Civil investiga uma denúncia de estupro coletivo a uma estudante universitária, de 19 anos, que teria ocorrido em Bom Despacho, no Centro-Oeste de Minas. O crime teria acontecido no último sábado (4). A jovem teria sido violentada por três homens após o Congresso "II Encontro Mineiro dos Estudantes do Campo de Públicas". O caso foi registrado nessa quarta-feira (8) em Belo Horizonte.

Os três suspeitos são ex-alunos do curso de Administração Pública da Fundação João Pinheiro e um deles era, inclusive, palestrante no evento. Segundo a delegada chefe da divisão especializada da Mulher, do Idoso e do Deficiente, Danúbia Soares Quadros, o crime de estupro coletivo ainda não está tipificado no código penal. Contudo se for comprovado que ela estava realmente desacordada isso poderá contar como um agravante.  A pena prevista, a princípio é de 8 a 15 anos de reclusão. Os suspeitos já foram localizados e deverão ser ouvidos nas próximas horas.

O caso foi registrado como estupro coletivo de vulnerável. A jovem foi submetida a exame de corpo de delito e o resultado é esperado em dez dias. A Polícia tem até 30 dias para concluir o inquérito.

Relatos

O pai da garota procurou a  Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher para denunciar o caso após receber o relato da filha. Segundo ele, a garota relatou a história aos prantos.
O evento aconteceu de sexta a domingo em um sítio próximo à cidade. A vítima contou que acordou com seu corpo sendo virado e comum dos suspeitos nú deitado sobre ela. Ela, então correu para o  correu para o banheiro e um dos suspeitos levou suas roupas. Ela, então, fugiu do local. Um casal relatou ter visto agarota sair do quarto bastante abalada e os três suspeitos apenas com as roupas íntimas no interior.
Segundo o relato da vítima, ela é de família e escola tradicional e ficou com muita vergonha de relatar o acontecido. Além disso, confidenciou à delegada que um membro próximo da família teria sofrido violência sexual, o que a inibiu de relatar imediatamente a história.

"Nesse último EM Público sofri um abuso. Estava em uma situação vulnerável, inconsciente. Fui surpreendida por essa situação terrível, em que estava diante de um homem que acreditou que poderia fazer sexo com uma pessoa na situação em que eu estava. Minha primeira reação: choque. Minha segunda reação: preciso sair daqui. Tento fugir, ele foi atrás. É quando reúno minhas forças e consigo dizer não, para ele parar – sabia que eu não merecia passar por aquilo e que eu não precisaria passar. Ele me larga. Saio daquele quarto extremamente humilhada, decepcionada, DESRESPEITADA", disse no Facebook (veja na íntegra abaixo).

Contudo, os suspeitos teriam ficado com medo da repercussão caso ela resolvesse contar a história e começaram a contar que ela teria bebido demais e deliberadamente se relacionado com os três. Neste momento, ela decidiu relatar tudo ao pai. Após saber da história, uma outra garota relatou uma situação semelhante envolvendo um dos suspeitos.


A Fundação João Pinheiro se pronunciou por meio de nota:

"O Presidente da Fundação João Pinheiro repudia quaisquer atos de violência, opressão, constrangimento ou equivalentes, praticados contra membros da instituição, em particular aqueles relacionados aos alunos da Escola de Governo Paulo Neves de Carvalho.

É com esse espírito que a instituição se manifesta veementemente contrária aos casos de violência e constrangimentos denunciados recentemente, em relação aos quais já foram iniciados os procedimentos cabíveis para apoio à vítima. Os fatos, que envolvem servidores Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental lotados em secretarias do Governo do Estado, já estão sendo apurados pelos órgãos competentes para punição dos envolvidos.

Roberto do Nascimento Rodrigues
Presidente
"