Pesquisa revela o perfil sexual dos brasileiros de 18 a 70 anos, saiba mais

Estudo realizado pelo Mosaico 2.0 reuniu pessoas de cinco faixas etárias

A Tribuna

Quando o assunto é desejo sexual, homens e mulheres pensam diferente. Enquanto eles gostariam de ter oito relações sexuais por semana, elas se contentariam com a frequência de três vezes. Porém, na realidade, o jogo fica empatado: em média, brasileiros e brasileiras fazem sexo duas a três vezes por semana.
“Isso mostra que é a mulher quem dá o ritmo da vida sexual em casais heterossexuais. Claro que os casais homossexuais masculinos acabam tendo uma frequência maior do que os casais heterossexuais”, explica a psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Carmita Abdo.
A informação está no estudo Mosaico 2.0, que analisou o comportamento sexual dos brasileiros. A pesquisa realizada este ano contou com a participação de três mil entrevistados heterossexuais, homossexuais e bissexuais. Foram divididos em cinco faixas etárias, dos 18 aos 70 anos.
Os participantes são das regiões metropolitanas das capitais São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Porto Alegre e Distrito Federal. Responderam as perguntas pela internet. 

Conquista
Para a coordenadora do estudo, um dos avanços significativos está no comportamento sexual das mulheres. Houve um aumento percentual entre aquelas que conseguem desvincular a relação sexual de uma relação de afeto.
Na primeira edição da pesquisa, realizada em 2008, 43% das mulheres falaram que fariam sexo sem envolvimento afetivo com seus parceiros. Neste ano, a resposta chega a 51%. “É importante que a mulher não confunda um relacionamento meramente sexual com um relacionamento com compromisso afetivo. Pena que essa mudança de comportamento não esteja acompanhada de um cuidado com o sexo de risco”, lamenta Carmita.
Atraso
A condutora da pesquisa se refere ao uso de camisinha nas relações sexuais. Segundo a especialista, o percentual de jovens que sempre usa preservativo não passa de 36%. Os que nunca usam chegam a 26,8%.
“O sexo sem proteção vem se mantendo. Por isso, as campanhas deveriam ser mais frequentes, específicas para cada segmento da população. E a educação sexual de maior efetividade ocorre antes de esses jovens começarem a vida sexual (em média aos 15 anos)”.
Para a pesquisadora, o resultado do estudo mostra que o sexo ainda é tabu para a sociedade. “O brasileiro aparenta uma liberdade sexual como nenhum outro povo. Porém, na vida a dois, ou na forma como o brasileiro escolhe viver sua sexualidade na privacidade, temos os mesmos índices de dificuldade de outros povos”.