Operação da Polícia Civil prende cinco pessoas de duas quadrilhas em BH

O Tempo

Operação da Polícia Civil prende cinco pessoas de duas quadrilhas

Cinco homicídios consumados e nove tentados, um deles contra uma senhora, de 52 anos, que caminhava em uma praça, no bairro Piratininga, por volta das 10h, e foi atingida por um tiro na perna. Esse é o resultado de uma guerra entre duas gangues rivais que disputam o tráfico de drogas na região de Venda Nova, em Belo Horizonte.
O conflito, no entanto, parece ter sido interrompido. O cessar fogo aconteceu após uma operação da Polícia Civil, que durou cerca de 6 meses e terminou na última terça-feira, e resultou na prisão de cinco pessoas das duas quadrilhas. Nesta sexta-feira (17), pela manhã a corporação apresentou o resultado da operação.
Segundo a Polícia Civil, a disputa entre as duas facções – uma do bairro Jardim Comerciários e a outra do Piratininga – teve início ano passado, quando Janderson Dantas, integrante da associação criminosa do bairro Jardim Comerciários foi executado por membros da gangue rival, no dia 27 de dezembro. Dantas estaria comercializando drogas no espaço controlado pelos inimigos.
“A partir de então, em retaliação e também por disputa de pontos de drogas, iniciou-se uma guerra acirrada entre ambas as associações”, explicou a delegada Roberta Sodré, responsável pela operação.
Entre os presos estão um jovem de 25 anos, e outro de 18. Eles seriam integrantes da quadrilha do bairro Jardim Comerciários. Barros é apontado pela polícia como um dos líderes do grupo. Com ele, a corporação encontrou uma pistola automática calibre 9 mm. Com Silva, os investigadores apreenderam duas armas de fogo calibre .380. Na ocasião, ele estava acompanhado de um menor, de 17 anos, que também foi apreendido. O adolescente estava de posse de um colete a prova de balas.
Do bairro Piratininga foram presos suspeito um suspeito de 24 anos, com quem foi encontrado, segundo a Polícia Civil, dois revólveres calibre 38,outro de 31, que estava munido de uma pistola .40, e um jovem de 25. Além das armas, uma grande quantidade de drogas (maconha, cocaína e crack) foi confiscada pela corporação com as duas gangues.
Toque de recolher
Durante o conflito entre os dois grupos, moradores do bairro Piratininga foram obrigados a obedecer um toque de recolher imposto pelos traficantes. A ordem teria sido dada pelo jovem de 25 anos, membro da facção. A prisão dele, na terça-feira, foi uma das últimas a acontecer.
“O pessoal do bairro Piratininga já estava com medo de comparecer às praças públicas e regiões de convivência. Foi na praça que ocorreu um dos homicídios tentados que vitimou uma senhora inocente”, detalhou a delegada Roberta Sodré.
Em entrevista, o suspeito negou a ação. “Eu não tenho nada a ver com esse toque de recolher”, disse. Uma faixa de agradecimento à polícia pela prisão dos suspeitos chegou a ser afixada na praça, por moradores do bairro, segundo a corporação.
Ordem era para matar
A rivalidade entre as duas facções criminosas era tamanha que os líderes do tráfico de drogas chegaram a estipular uma recompensa em dinheiro para os “soldados” que executassem os inimigos. A quantia variava entre R$5 mil e R$10 mil.
“Alguns deles afirmaram a existência de uma recompensa que seria paga aos outros integrantes para executar membros da quadrilha oposta”, disse a delgada Roberta Sodré.
“Os próprios integrantes que foram presos afirmaram que essa guerra, esses homicídios todos, só terminariam quando os principais líderes de ambas as gangues estivessem mortos”, finalizou a delegada.
Prisões

  Os membros das facções foram levados para o Ceresp Gameleira e para a penitenciária Nelson Hungria. Nesta quinta-feira (16) os suspeitos chegaram a se estranhar, na delegacia, e precisaram ser transportados em carros separados.