'Não tem jeito, favelado tem que morrer', diz mãe de rapaz morto pelo Baep

Eletricista Douglas Cardoso da Cruz, de 22 anos, foi atingido por dois disparos; ela diz que ele era inocente

Douglas tinha 22 anos e, segundo a mãe, não tinha
envolvimento com o mundo do crime (Foto: Arquivo Pessoal)

A dona de casa Janice Vieira Cardoso, de 42 anos, garante que o filho dela, Douglas Cardoso da Cruz, de 22 anos, não era criminoso. Ele foi morto por soldados do Batalhão de Ações Especiais (Baep) durante operação da Vila Caíque, em Cubatão. 
Ela questiona toda a versão apresentada pelos policiais à Polícia Civil na noite do crime. Segundo o Boletim de Ocorrência, o rapaz, um eletricista demitido após os recentes cortes da Usiminas e que não tem outras passagens, estava armado e com drogas. 
"Meu filho só foi levar a namorada à escola, como sempre fazia. Quando ele voltou, havia uma troca de tiros na minha rua. Era muito tiro. Ele correu para casa. Os policiais entraram e o arrastaram para fora. Meu filho foi levado para o mato, próximo ao mangue", diz. 
Janice conta que ela e a família tentaram ir junto, mas os policiais não teriam deixado. Momentos depois, Douglas apareceu baleado e morto. Segundo ela, mesmo assim, a ambulância que foi acionada pelo Baep o levou até o Hospital Municipal de Cubatão.

Não tem jeito, favelado tem que morrer. É assim que eles pensam, é assim que eles fazem. Para nós foi uma grande decepção, pois a gente acreditava na polícia. Meu filho foi morto sem qualquer motivo, porque eles tinham que matar alguém. Meu Deus". 
Janice tem cinco filhos e todos, segundo ela, estudaram, trabalham e mantém a vida longe do crime. Se não bastasse toda a situação, quando foi tentar dar a versão dela na Delegacia Sede de Cubatão, ouviu da delegada que seria "chamada outra hora".
"O nosso único problema é que nós somos pobres. Entraram, pegaram ele e mataram com um tiro no queixo. Ele também levou uma bala no peito. Ninguém fez perícia, não perguntaram nada, tanto é que ele entrou no hospital como indigente". 
A mãe de Douglas também acusa a polícia de "plantar provas". No dia seguinte, nesta sexta-feira (3), ela encontrou o casaco que ele usava com um projétil e, ao lado da roupa, o guarda-chuva que ele utilizou para acompanhar a namorada à escola. 
"Agora eu só estou esperando o corpo ser liberado. Vamos fazer o velório e enterrá-lo aqui em Cubatão. Mas eu garanto: vamos buscar Justiça e quem o matou vai ter que pagar por isso. Infelizmente meu filho se foi. Acabaram com ele". 
Douglas Cardoso da Cruz tinha uma tatuagem de Nossa Senhora na barriga. Ele completaria mais um ano no próximo mês. O corpo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Santos e a polícia afirma que ele trocou tiros com os soldados.

Fonte: A Tribuna