Morre ex-governador de Minas Hélio Garcia

Morreu na manhã desta segunda-feira (6), o ex-governador de Minas Gerais e ex-prefeito de Belo Horizonte Hélio Garcia. Ele foi internado neste fim de semana no Hospital da Unimed, na capital mineira com problemas respiratórios, mas não resistiu.

Garcia comandou o Estado por duas vezes: de 1984 e 1987 e de 1991 a 1995.

O ex-governador, Hélio Garcia, nasceu em Santo Antônio do Amparo, município da região Sul de Minas, em 16 de março de 1931, filho de Júlio Garcia, ex-prefeito de Perdões e de Carmelita Carvalho Garcia. O seu avô materno, Antônio Carlos Carvalho, foi fundador do Banco de Minas Gerais e um dos signatários do Manifesto dos Mineiros (1943), documento em que a elite liberal mineira denunciava a ditadura do Estado Novo (1937-1945) de Getúlio Vargas e reivindicava a redemocratização do país.

Formado em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1957, pecuarista e produtor rural, ingressou na União Democrática Nacional (UDN). Em outubro de 1962 elegeu-se deputado estadual, dando início à sua carreira política. Ligado ao udenista Magalhães Pinto, então governador do estado, foi líder de governo até 1964, quando assumiu a Secretaria de Estado do Interior e Justiça.

Em outubro de 1965, com a promulgação do Ato Institucional n 2, extinção dos partidos políticos e a instituição do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), legenda de sustentação ao governo autoritário-militar.

Elegeu-se deputado federal em novembro de 1966, foi membro das comissões de Segurança Nacional e de Constituição e Justiça. Embora na Arena, posicionou-se contra a cassação do deputado federal Márcio Moreira Alves pelo “crime” de opinião.

Em 1975 Hélio Garcia aceitou convite do então governador Aureliano Chaves e assumiu a presidência da Caixa Econômica Estadual de Minas Gerais. Deixou o cargo em abril de 1978, sob especulações de que seria indicado para governar Minas: tinha o apoio do então senador Magalhães Pinto e boa receptividade junto aos deputados federais. Mas o indicado do regime que venceu indiretamente a eleição para o governo foi Francelino Pereira.

Hélio Garcia conquistou novo mandato para a Câmara dos Deputados. Tomou posse em fevereiro de 1979. Extinto o bipartidarismo, fundou, ao lado de Magalhães Pinto e de Tancredo Neves o Partido Popular (PP), legenda de caráter liberal, que reuniu ex-udenistas, ex-filiados ao Partido Social Democrático (PSD), políticos da situação e da oposição. Foi eleito presidente do PP em abril de 1980 e teve papel fundamental em sua organização no estado.


Em fevereiro de 1982, o PP foi incorporado pelo PMDB para viabilizar a candidatura de Tancredo Neves ao governo de Minas. Hélio Garcia foi convidado por Tancredo para ser o vice. Eles derrotaram por pequena margem Eliseu Resende, candidato governista do PDS. A posse foi em janeiro de 1983.


Em abril de 1983, Hélio Garcia foi nomeado por Tancredo Neves prefeito de Belo Horizonte, em substituição a Júlio Laender. Hélio passou a acumular a prefeitura com a vice-governadoria.

Foi um dos principais articuladores do Acordo de Minas, que reproduziu no estado a articulação que levou à formação da Aliança Democrática – coligação do PMDB com a Frente Liberal – uma dissidência do PDS encabeçada por Aureliano Chaves. Candidato da Aliança Democrática à Presidência da República, Tancredo renunciou ao governo de Minas em agosto de 1984. Hélio Garcia deixou a Prefeitura de Belo Horizonte – cargo para o qual nomeou Rui Lage – e assumiu o Palácio da Liberdade.

Nas eleições para a Prefeitura de Belo Horizonte, em novembro de 1985, surpreendeu a todos lançando o nome do deputado estadual Sérgio Ferrara (PMDB). Licenciou-se do governo, fez campanha, reverteu a primeira de várias outras disputas eleitorais em favor de seus candidatos. No ano seguinte, na campanha ao governo de Minas, depois de hesitar em apoiar a candidatura de Newton Cardoso, bateu o favoritismo de Itamar Franco. Empossado Newton Cardoso em março de 1987, Hélio novamente exilou-se em sua fazenda.

Em 1990, Hélio Garcia desfiliou-se do PMDB e fundou o PRS, legenda pela qual voltaria a se eleger em novembro daquele ano governador de Minas. Ao assumir, aproximou-se do governo federal para negociar a liberação de recursos para obras no estado. Permaneceu em silêncio durante o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello, mas, quando Itamar Franco assumiu a presidência, declarou que o país tinha o “dever moral” de apoiar o seu antigo adversário político em Minas.

Em sua sucessão em 1994, Hélio Garcia voltou a reforçar a fama de “pé quente”. No segundo turno da disputa, entrou na campanha em apoio a Eduardo Azeredo (PSDB), que derrotou o favorito Hélio Costa. Depois de transmitir o cargo, Hélio voltou a se refugiar em sua fazenda.

Em julho em 1998, decidiu concorrer ao Senado Federal pelo PTB. Mas ao seu estilo, não fez campanha. Retirou-se da disputa antes das eleições. Foi a última candidatura de Hélio Garcia. Com problemas de saúde, esquecimentos e diagnosticado com provável Alzheimer, o ex-governador foi interditado em outubro de 2006.  


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