Meteorologista explica diferença entre sensação térmica e temperatura real

Frio dos últimos dias está dentro das expectativas para o período, segundo especialista

Os termômetros marcam 10ºC e os especialistas dizem que a temperatura é de 15ºC. Mas, afinal, qual a informação correta? Os profissionais passam a condição exata do tempo, o que acontece é que os aparelhos nas ruas sofrem da própria interferência climática e apresentam um aproximado, mas falso, número.
A meteorologista da Somar, Maria Clara Sassaki, explica que esses equipamentos estão expostos ao sol, vento, sobre o asfalto ou na sombra e tudo isso interfere no resultado apresentado. Um exemplo são as diferentes temperaturas registradas no mesmo horário em termômetros de diferentes regiões.
“A temperatura correta é registrada em uma estação meteorológica com situações específicas. O equipamento deve estar, por exemplo, suspenso sobre uma área gramada e em um abrigo para que não haja interferência do sol, vento”, diz.
A informação que consta nos equipamentos de rua são mais próximas da sensação térmica, pois estes estariam, teoricamente, expostos às mesmas condições dos humanos.

Temperatura registrada em termômetros sofre com interferências climáticas  (Foto: Alberto Marques)
Entretanto, a especialista explica que a situação não é tão simples quanto parece, e que para chegar à temperatura relativa à sensação térmica são precisos alguns cálculos específicos, que levam em conta a temperatura real (aferida pela estação meteorológica), velocidade do vento e umidade do ar.
“A velocidade do vento tem um peso muito grande nessa conta, pois ajuda a resfriar o corpo. Já a umidade do ar elevada é como se nos molhasse”.
Inverno rigoroso?
Maria explica que vivemos um momento atípico, porque é como se o inverno tivesse começado um pouco antes. No entanto, as temperaturas, segundo ela, estão dentro da realidade para o período e no inverno não haverá grandes mudanças.
“Essa (temperatura) é média normal para o inverno. A questão é que nos últimos dois anos tivemos a atuação do El Niño (fenômeno responsável pelo aquecimento), que deixou a região mais quente. Este ano estamos saindo do El Niño, entrando em uma zona de neutralidade e chegando à La Niña (fenômeno responsável pelo resfriamento)”.
A meteorologista lembra que em 1994 o clima foi semelhante ao atual. Mas concorda que fazia tempo que não fazia tanto frio. “Em 2013, tivemos um período assim em julho, mas passou bem rápido”.