Julho e agosto serão mais frios dos últimos quatro anos em Minas

Os dois próximos meses terão interferência de ar polar; inverno começa na segunda (20).

Antes de as temperaturas voltarem a despencar por causa do inverno, que começa às 19h34 de segunda-feira, quem mora em Belo Horizonte terá um fim de semana mais ameno. Hoje, a temperatura mínima deve ser de 11°C, e a máxima, 25°C. No domingo, o termômetro não muda muito: a oscilação será de 12°C a 25°C, segundo a meteorologista Natália Cantuária, do TempoClima PUC Minas.

Ontem, a Defesa Civil da capital emitiu um alerta por causa das baixas temperaturas ao amanhecer e deu orientações de como cuidar da saúde nesta época do ano: realizar atividades físicas agasalhado; não deixar de ingerir líquidos; em ambientes fechados e com muita aglomeração de pessoas, manter janelas abertas para ventilação e, assim, evitar a propagação de doenças.

E, quando julho chegar, os mineiros podem se preparar: o próximo mês e agosto serão os mais frios dos últimos quatro anos, conforme o meteorologista Ruibran dos Reis, do ClimaTempo, devido à influencia de ar polar.

Rua. Como O TEMPO mostrou em sua edição de ontem, o frio é mais um problema para os moradores de rua da capital mineira. Para driblar as baixas temperaturas, muitos deles usam drogas, como o crack. No último censo realizado com moradores de rua, em 2013, 51,5% daqueles que responderam à pesquisa informaram usar algum tipo de entorpecente.

Aliado a essa situação, muitos revelaram ter algum tipo de transtorno mental, enfermidades que podem ser agravadas com o uso de drogas. A depressão afetava 43,6% dos recenseados, a ansiedade aparecia em segundo lugar, atingindo 27,4% dos recenseados. Naquele ano, a pesquisa contabilizou 1.827 moradores de rua.

Psiquiatra e coordenador do Centro de Referência em Drogas (CRR) da Universidade Federal de Minas Gerais, Frederico Garcia Duarte explicou que, em casos de esquizofrenia, as drogas podem aumentar os delírios. “Pode melhorar imediatamente (os sintomas dos transtornos mentais), mas a longo prazo (a droga) faz muito mal”, disse o médico. Ele destacou que atos suicidas têm maior índice entre moradores de rua que na população em geral. “A depressão é a maior causa. Há uma desesperança (dificuldade de ver a situação melhorar)”, completou.
Pesquisa
Perfil. O censo mostrou que a maioria dos moradores de rua saiu de casa por algum tipo de problema familiar. Não se sabe se os transtornos mentais são secundários ou se causaram as saídas.
Morador de rua sem assistência específica
Belo Horizonte não tem uma política pública específica para moradores de rua que apresentam transtornos mentais e usam drogas. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde, essa população precisa recorrer às unidades convencionais.

Para o coordenador do Centro de Referência em Drogas da Universidade Federal de Minas Gerais, Frederico Garcia Duarte, é necessário haver diagnóstico preciso e tratamento adequado para se enfrentar esse quadro, com a participação de psicólogos e psiquiatras.

Os consultórios de rua, por exemplo, que funcionam em vans, atendem todos os que procuram ajuda em quatro regionais da cidade (Noroeste, Oeste, Norte e Centro-Sul). A secretaria informou que as equipes, integradas por psicólogos e psiquiatras, realizam abordagens a moradores de rua que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas. São quatro grupos, que trabalham de 15h às 21h. (AD)
Rede pública
Cersam. São oito unidades de Centros de Referência Mental em BH. O acolhimento é de 7h às 19h.

SUP. O Serviço de Urgência Psiquiátrica funciona na Santa Casa e oferece leitos de 19h às 7h.

Cersam-AD. Unidades do Centro de Referência em Saúde Mental Álcool e Drogas fazem acolhimentos na Pampulha, no Barreiro e na região Nordeste, das 7h às 19h.

Cersami. O Centro de Referência em Saúde Mental Infanto-Juvenil, na região Noroeste, faz acolhimentos de 7h às 19h.