Jornalista é presa durante cobertura de reintegração de posse em Belo Horizonte

A repórter da rádio Inconfidência Verônica Pimenta foi presa enquanto realizava entrevistas, polícia diz que ela desobedeceu perímetro de segurança; já o sindicato considera que a polícia está impedindo o trabalho da imprensa

O Tempo

Foto mostra momento em que jornalista é retirada da ocupação e depois é presa

A repórter e uma das diretoras do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) Verônica Pimenta foi presa na manhã desta segunda-feira (20) durante reintegração de posse nas Ocupações Maria Vitória e Maria Guerreira, localizada no bairro Copacabana, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte. A jornalista estava fazendo a cobertura da reintegração quando foi presa e encaminhada para a Delegacia de Polícia Civil de Venda Nova.
De acordo com a Polícia Militar, ela foi presa por desobediência e por não ter se identificado. “Em gestão de eventos de crise como esse, nós estabelecemos perímetros de segurança e só ficam dentro dele quem está diretamente envolvido no fato. Isso é feito até para a segurança da imprensa. Ela se recusou a obedecer esse perímetro e a se identificar e por isso precisou ser presa”, afirmou o capitão Flávio Santiago, chefe da assessoria de imprensa da Polícia Militar. Ainda segundo ele, a reintegração está sendo feita de forma pacífica e a repórter foi para a delegacia no carro da Inconfidência.
Já o presidente do sindicato Kerison Lopes considera que a prisão foi feita de forma arbitrária. “A Verônica estava no meio da entrevista quando foi definido o perímetro de segurança e ela queria terminar, mas os policiais começaram a pedir para ela sair, impedindo o trabalho dela. Ela estava devidamente identificada com microfone e crachá da rádio”, afirmou Lopes.
Ainda segundo Lopes, a repórter está prestando depoimento na tarde desta segunda. O advogado do sindicato está acompanhando o depoimento. A advogada da rádio Inconfidência também está na delegacia. “Estamos acompanhando os casos, essa não é a primeira vez que a polícia impede os jornalistas de trabalharem e isso é muito grave, vamos ficar atentos a esses acontecimentos e se for preciso acionaremos a Justiça”, disse o presidente do sindicato.
A assessoria de imprensa da Polícia Civil afirmou que Verônica assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), prestou depoimento e foi liberada. O TCO é utilizado em crimes de menor potencial ofensivo e agora ela deve ser ouvida em audiência judicial. Ainda segundo a Polícia Civil, os militares envolvidos na ocorrência também foram ouvidos. Eles registraram Boletim de Ocorrência por desobediência e incitação da população contra os policiais. Porém como nenhum popular foi preso, a Polícia Civil  só acatou a desobediência.
Um vídeo com o momento da retirada da repórter da ocupação foi gravado por moradores. Nas imagens a moradora afirma que Verônica passou a noite na ocupação e por isso já estava lá dentro.




Outro caso:

Em agosto do ano passado o repórter fotográfico de O TEMPO Denilton Dias foi atingido por um tiro de borracha durante a cobertura de uma manifestação contra o aumento da passagem.Um vídeo gravado por manifestantes mostra que o policial mirou na direção do jornalista – que não estava junto à multidão – pouco depois de ele ter se identificado como repórter e ter sido impedido de deixar o cerco policial.