Império do tráfico é desmontado em Betim, na região metropolitana

Quatro pessoas, sendo que três são da mesma família, foram presas e são apontadas pela Polícia Civil de serem as responsáveis pelo toque de recolher em três bairros da cidade

O Tempo

Após dois meses do toque de recolher que amedrontou os moradores e os comerciantes dos bairros Vila das Flores, Homero Gil e Sítio Poções, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, a Polícia Civil conseguiu prender quatro suspeitos, sendo que três deles são da mesma família, que são apontados pelas investigações como os responsáveis por homicídios e pelo tráfico de drogas nesses bairros, além de impor terror aos moradores da região.

Durante a apresentação, realizada na manhã desta quarta-feira (15), na sede da Delegacia Regional de Betim, o delegado Renan Gutierrez, responsável pela 3ª Delegacia de Betim, disse que um dos líderes dessa quadrilha seria Carlos Adão Gomes, de 35 anos, também conhecido no mundo da criminalidade como Dão, preso na última sexta-feira (10), em sua residência, no bairro Nossa Senhora de Fátima.

“Eles fazem parte de uma família perigosa e com altíssimo poder aquisitivo. Possuem inúmeros imóveis, carros e dinheiro. Contudo, após várias denúncias anônimas e com receio de perder o controle do tráfico na região, eles impuseram o toque de recolher para demonstrar poder e impor o terror nos cidadãos de bem”.

 

Segundo as investigações, as ações da quadrilha eram comandadas por Ednaldo Gomes de Souza, de 35 anos, conhecido como Naldo, que é irmão de Dão e está preso por tráfico de drogas, desde 2009, no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, também na região metropolitana. “Mesmo estando preso, o Naldo conseguia arquitetar as principais atividades da quadrilha. Sabemos que cerca de 40% do tráfico de drogas existentes em Betim são de responsabilidade deles. O grupo movimentava anualmente milhões em drogas”, contou o delegado.

A irmã de Dão e Naldo, Elenita Gomes de Souza, de 26 anos, de acordo com a Polícia Civil, apesar de não ter cargo de chefia na quadrilha, trabalhava com a venda de drogas. Quem também tinha a responsabilidade de distribuir os entorpecentes na organização criminosa, segundo o delegado, é Leidison Rubens de Souza, de 22 anos, que é primo dos outros três suspeitos. “A Elenita e o Leidison foram presos na última sexta-feira com drogas. Sabemos que eles não possuem o poder de comando, mas atuavam na venda de drogas”, disse Gutierrez.

Um quarto suspeito também foi preso no fim da semana passada: Everton Batista da Silva, de 25 anos, foi apontado pelos investigadores como olheiro da quadrilha. “Eles possuem inúmeros olheiros espalhados em vários pontos dos bairros que eles atuam. A ação da polícia é dificultada justamente porque, quando eles avistam qualquer viatura, os chefes são informados e conseguem fugir”, concluiu o delegado Renan Gutierrez.

Como aconteceu com o Leonardo Gomes de Souza, de 27 anos, conhecido como Leozinho e irmão de Dão, Naldo e Elenita, que conseguiu fugir da Polícia Civil na última sexta-feira (10) e, até o fechamento desta reportagem, segue foragido.

Histórico

De acordo com a Polícia Civil, Carlos Adão Gomes tem passagem por porte ilegal de arma de fogo e homicídio. Enquanto isso, Leidison Rubens de Souza e Leonardo Gomes de Souza já foram presos por tráfico de drogas. Já a Elenita e o Everton não possuíam passagens.