Hospital da Clínicas de Uberlândia fecha pronto-socorro

Instituição anunciou déficit de R$ 16 milhões; faltam insumos básicos, e há aparelhos quebrados; devem deixar de ser realizados até 332 atendimentos diários na unidade

O Tempo

Estrutura. O HC tem 510 leitos e atende cerca de 2 milhões de pessoas, de Uberlândia e cidades vizinhas

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), no Triângulo, interrompeu ontem o atendimento em seu pronto-socorro. Diante de um déficit de R$ 16 milhões no orçamento, a direção da unidade anunciou que não tem condições de receber novos pacientes. Somente os que já estão internados continuarão a ser atendidos. Apenas no pronto-atendimento, o déficit na receita mensal seria de R$ 1,5 milhão. A maior parte da verba que deixa de chegar à unidade é proveniente do programa Rede Cegonha, do governo federal.

Durante entrevista coletiva na manhã de ontem, os diretores do hospital revelaram problemas como ausência de materiais, equipamentos com defeito e, além dos atrasos, a falta de repasses, que tiveram redução de R$ 20 milhões nos últimos cinco anos. No hospital, cerca de 190 itens de uso hospitalar e outros 190 insumos básicos já estão em quantidade mínima e devem acabar até o fim desta semana. Até copos descartáveis estão em falta na unidade. Não há instrumentos como seringas, gazes, agulhas e máscaras, além de medicamentos e alimentos como arroz, feijão e óleo.

Outro problema relatado é o defeito na máquina de tomografia, que parou de funcionar por falta de manutenção preventiva. “Só estamos conseguindo fazer procedimentos de hemodiálise, por exemplo, porque temos recebido materiais emprestados por Araguari”, afirmou o diretor geral Hélio Lopes da Silveira, em nota encaminhada pela UFU.

Referência. A estimativa é a de que os problemas na unidade afetem cerca de 2 milhões de pessoas, já que o HC-UFU atende não só a cidade de Uberlândia, mas vários municípios vizinhos. Além de ser um hospital-escola, a unidade é referência em procedimentos como cirurgias cardíacas e pediátricas e atendimento oncológico. Em média, 332 atendimentos diários deixarão de ser realizados no local.

A Prefeitura de Uberlândia informou, em nota, que está em dia com os pagamentos do contrato de gestão entre o município e o hospital e que, por isso, tomará medidas judiciais cabíveis para que ele seja cumprido.
MPMG estuda ação para garantir serviço
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pretende discutir o fechamento do pronto-socorro do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) com a Procuradoria da República. O promotor Lúcio Flávio de Faria afirmou que pretende entender quais são as medidas judiciais possíveis para evitar que a unidade de saúde feche as portas.

Faria diz que grande parte do problema financeiro da unidade acontece devido ao excesso de gastos com recursos humanos. “Mais da metade da verba da Faepu (Fundação de Assistência e Pesquisa de Uberlândia), que administra o hospital, é usada com pessoal e isso onera muito”, avalia.

A dívida atual da Faepu supera os R$ 50 milhões. Uma alternativa seria um acordo com o MPMG para que a fundação passe o controle do hospital para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). (BF)
Unidade fecha pronto-socorro
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), no Triângulo, interrompeu ontem o atendimento em seu pronto-socorro. Diante de um déficit de R$ 16 milhões, a direção da anunciou que não tem condições de receber novos pacientes. Só os que já estão internados continuarão a ser atendidos. Apenas no pronto-atendimento, o déficit na receita mensal seria de R$ 1,5 milhão. A maior parte da verba que deixa de chegar à unidade é proveniente do programa Rede Cegonha, do governo federal.

Durante entrevista, os diretores revelaram problemas como ausência de materiais, equipamentos com defeito e, além dos atrasos, a falta de repasses, que caíram R$ 20 milhões nos últimos cinco anos. Cerca de 190 itens de uso hospitalar e outros 190 insumos básicos devem acabar até o fim da semana. Até copos descartáveis estão em falta na unidade. Não há instrumentos como seringas, gazes, agulhas e máscaras, além de medicamentos e alimentos como arroz, feijão e óleo.

Outro problema é o defeito na máquina de tomografia. “Só estamos conseguindo fazer procedimentos de hemodiálise, por exemplo, porque temos recebido materiais emprestados por Araguari”, afirmou o diretor geral Hélio Silveira.

Referência. A estimativa é que os problemas afetem cerca de 2 milhões de pessoas, já que o HC-UFU atende não só Uberlândia, mas vários municípios vizinhos. Além de ser um hospital-escola, é referência em procedimentos como cirurgias cardíacas e pediátricas, e atendimento oncológico. Em média, 332 atendimentos diários deixarão de ser realizado.

A prefeitura informou, em nota, que está em dia com os pagamentos do contrato de gestão entre o município e o hospital e que tomará medidas judiciais cabíveis para que ele seja cumprido. (Bárbara Ferreira)
Posicionamento sobre Uberlândia
União. O Ministério da Saúde informou que, neste ano, já foram liberados R$ 18,7 milhões para o hospital e que, neste mês, está previsto o repasse de mais R$ 9 milhões. A União contingenciou R$ 5,5 bilhões em toda a pasta.

Ensino. A diretoria do Hospital das Clínicas da UFU afirmou se preocupar com a qualidade do ensino oferecido no hospital, mas alegou que já está tentando uma parceria com o Hospital Municipal de Uberlândia para esse tipo de serviço.
Detalhes sobre o Hospital Municipal
Resposta. A Secretaria Municipal de Saúde de Contagem informou que o bloco cirúrgico, o pronto-atendimento e o Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Municipal funcionam normalmente, pois tiveram o serviço de limpeza priorizado.

Lavagem. A prefeitura esclareceu que enfrenta problemas apenas com a prestadora de serviços de limpeza. Já com as demais, como a responsável pela lavanderia, o funcionamento está normal. O Executivo informou que não faltam insumos básicos na unidade.

Dívida. Segundo a Conservo, nos últimos seis meses, a empresa tenta receber R$ 2,8 milhões devidos pela Secretaria Municipal de Saúde, referentes a pagamentos atrasados e a reajustes de salários dos funcionários
dos anos de 2015 e 2016.

Paralisação. Entre 30 de maio e 3 de junho, a Conservo operou parcialmente na unidade, por falta de pagamento. A prefeitura pagou R$ 920 mil, e o serviço foi retomado. Na ocasião, o Executivo garantiu que pagaria até o último dia 7 o R$ 1,9 milhão restante, o que não ocorreu, segundo a empresa.