Estudantes não se intimidam com a movimentação na região Centro-Sul de BH e usam drogas sem limites

Hoje em Dia
 
VILA PARIS – Com capacete nas mãos, rapaz se encontra com outro jovem, que saiu de escola nas proximidades, para compartilhar um cigarro de maconha
Em uma área de convivência do bairro Vila Paris, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, um rapaz aguarda pacientemente. Algum tempo depois, outro jovem sai da Escola Estadual Professor José Mesquita de Carvalho, a poucos metros dali. Eles se cumprimentam e começam a enrolar um cigarro de maconha. 
O rapaz que aguardava estava sendo “salvo” naquele momento, conforme a linguagem dos usuários. O baseado aceso é compartilhado pelos dois sem nenhuma preocupação quanto à possibilidade de alguém passar pelo local. Mais tarde, vários alunos cruzaram o centro de convivência para tomar rumo de casa. 
Nesta primeira parte da série de reportagens, o Hoje em Dia mostra que a droga não está inserida apenas no contexto das escolas públicas da periferia da capital mineira. Flagrantes de consumo de maconha por estudantes são comuns em áreas mais centrais e movimentadas da cidade.

Drogas nas escolas de BH
“O problema está disseminado por toda a sociedade, nas classes alta, média e baixa. Obviamente que as escolas públicas localizadas em áreas mais pobres são mais vulneráveis à presença da droga. Mas não pensem os pais que os filhos matriculados em escolas particulares estão livres disso”, alerta a mestre em ciência da saúde Maria Rebeca Otero Gomes, coordenadora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil.
Comunidade escolar
Para reverter esse quadro, os pais de alunos também devem ser inseridos nas ações de prevenção às drogas. “Eles precisam desse apoio até para saber como devem proceder com os filhos”, diz Maria Rebeca. 
Pais lutam para impedir que o vício afaste crianças e adolescentes das salas de aula
“Já fui atrás de muitas crianças evadidas da escola por causa da droga. Há muito tempo o problema é gravíssimo em Belo Horizonte”.
O desabafo é do presidente das Associações de Pais e Alunos de Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg), Mário de Assis. Ele acompanha a luta dos pais de estudantes que tiveram a primeira experiência com drogas no ambiente escolar e acabaram abandonando os estudos.
“Os pais tentam de tudo, buscam várias formas de tratamento para esses meninos, mas não encontram apoio nas escolas. As ações que existem são quase irrisórias”, afirma.
Atrativos
A subsecretária de Estado de Desenvolvimento da Educação Básica, Augusta Mendonça, reconhece: “Convivemos com essa situação, a droga está presente nas nossas escolas”, diz.
Drogas nas escolas de BH
Em 2015, segundo ela, foram feitas análises de todos os fenômenos relacionados à juventude no ambiente escolar. As primeiras mudanças para reverter o quadro de evasão, inclusive provocada pelo uso de drogas, vieram neste ano, no ensino médio noturno e na Educação de Jovens e Adultos (EJA). 
“As aulas terminavam às 22h40 e as escolas passaram a funcionar até 22h15, com parte da carga horária de atividades extracurriculares. Foi criada a disciplina Diversidade, inclusão e mundo do trabalho, com a participação de três professores de áreas diferentes. São ações para despertar o desejo de permanecer na escola e as boas relações dentro dela”, destaca Augusta.
Retorno do MEC
Em e-mail enviado ao MEC em 13 de junho, o Hoje em Dia solicitou dados e entrevista com algum representante da pasta sobre ações de prevenção às drogas nas escolas públicas. O prazo final estipulado pela reportagem para as respostas foi 23 de junho (data de encerramento da série), ou seja, dez dias após o envio do e-mail. 
Na quarta-feira passada, dia 15, a assessoria de imprensa do MEC informou que estava encontrando dificuldades para encaminhar as respostas dentro do prazo e pediu o adiamento em um dia, para 24 de junho.
Segundo a assessoria, a recém-empossada secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do MEC, Ivana de Siqueira, trabalha na montagem da equipe, o que compromete o atendimento à imprensa.
O MEC, contudo, se prontificou a fazer todos os esforços para atender o Hoje em Dia até o dia 23.

Leia amanhã: A impotência dos professores diante do uso de drogas nas escolas públicas de BH, e outras medidas criadas para combater o problema.