Depoimentos e tacógrafo ajudarão na investigação sobre o acidente com um ônibus na Mogi-Bertioga

Nível de destruição do ônibus, entretanto, pode dificultar os trabalhos dos peritos

A Tribuna

 Veículo envolvido em acidente ficou completamente destruído (Foto: Carlos Nogueira)

Velório durou toda a madrugada e os caixões ficaram enfileirados na quadra da escola; apenas dois dos sete caixões ficaram abertos

A Polícia Civil prossegue nesta sexta-feira (10) com as investigações para descobrir as causas do acidente de ônibus que matou 18 pessoas e deixou 16 feridas na Mogi-Bertioga. O nível de destruição do veículo, no entanto, pode atrapalhar a perícia.
Por isso, os depoimentos das testemunhas serão fundamentais para reconstituir a cena da tragédia. Depois de passar a madrugada na estrada, o delegado responsável pelo inquérito, Fábio Pierry, acompanhou a cobertura da imprensa, e o depoimento de um entrevistado chamou a atenção.
“Esse passageiro disse que o motorista estaria fazendo curvas abertas, parecia tentar controlar o ônibus. Houve um aviso para colocar o cinto de segurança. Interpretando essa fala, me parece que pode ter havido uma falha mecânica”, analisa.
O delegado avaliará se a alta velocidade relatada por testemunhas pode ser um indicativo de problema de freio, pois há um trecho significativo de descida antes do local do acidente. A perícia no tacógrafo (aparelho que monitora, por exemplo, a velocidade do veículo) poderá sanar essas dúvidas. 
Empresa
Por telefone, a assessoria jurídica da empresa responsável pelo veículo, a União do Litoral, alegou que o velocímetro do veículo marcava 48 km/h – ou seja, abaixo dos 60 km/h permitidos no trecho. Em nota, a empresa justificou que, em 25 anos de atuação, nunca registrou acidentes com vítimas. 
Informou, ainda, que o ônibus estava apto para o serviço e com vistorias da Agência Nacional de Transportes terrestres (ANTT), da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) e da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado (Artesp) rigorosamente em dia. O veículo também passou por manutenção preventiva há 15 dias, também conforme a assessoria.
A União do Litoral afirma estar prestando suporte aos passageiros e familiares, inclusive com apoio funeral e assistência médica para auxiliar os passageiros que foram hospitalizados.