Chuvas ameaçam preço do álcool nos postos de Minas

Tempo atípico prejudica produtores e eleva custos; alguns estabelecimentos já repassaram

O Tempo

Reajuste. Posto vendia o álcool a R$ 2,11 na semana passada e, agora, aumentou para R$ 2,2919 
 

A chuva atípica entre o final do mês de maio e início do mês de junho é a explicação para o aumento do preço do etanol em Minas Gerais nas duas últimas semanas. Quem afirma é o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de MG, Mário Campos. A safra de cana-de-açúcar nas regiões do Triângulo Mineiro e Sul de Minas e ainda São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul – que detêm juntos cerca de 80% do mercado de álcool hidratado – foi bastante prejudicada pelo volume de chuva nestas regiões, segundo o dirigente. “Em Minas, houve unidade produtora que ficou parada durante cinco dias”, esclareceu Campos.
A safra de cana-de-açúcar começou em abril e a moagem está a toda vapor, mas o clima ruim está atrapalhando o produtor, que já sofre com custos altos e margens de lucro reduzidas.
Quem procura os postos de combustíveis em Minas já começa a sentir a alta no preço do etanol nas bombas. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio no Estado na semana de 29 de maio a 4 de junho foi de R$ 2,483. Já na semana seguinte (de 5 a 11 de junho), o valor médio do combustível saltou para R$ 2,516. Isso representa um reajuste de 1,2% do combustível na última semana.
“Moro em Montes Claros e lá o álcool já vale entre R$ 3,80, R$ 3,70”, explica o supervisor de vendas Fred Slander, que ontem estava em Belo Horizonte e abasteceu a caminhonete F-10 com álcool a R$ 2,2919 em um posto da avenida Amazonas, no bairro Nova Suíça.
Mas segundo a ANP, em Belo Horizonte o preço médio do álcool nas duas últimas semanas se manteve estável. Passou de R$ 2,454 (de 29 de maio a 4 de junho) para R$ 2,434 – um recuo de 0,8%.
Mas quem percorre a capital diz que os postos de combustíveis aumentaram os preços do etanol. “Na Antônio Carlos, o álcool já está sendo vendido a R$ 2,39 e R$ 2,49. Eu moro no São Cristóvão e atravesso a cidade para abastecer em um posto na Via Expressa onde o preço ainda é R$ 2,11”, conta o autônomo Gleison Santos. Para ele compensa porque mora perto do trabalho e toda segunda-feira vai à Via Expressa para colocar entre R$ 60 e R$ 70 de álcool. Na sexta-feira, volta ao mesmo posto e reabastece o seu Gol 1.6 Flex. Para encher o tanque ele gastaria cerca de R$ 120, mas afirma que “não consegue mais”, sem portanto precisar a economia que tem com o combustível a R$ 2,11. Alguns postos com estoques ainda não sentiram a alta provocada pelas chuvas.
Mas até quando? O gerente do Auto Posto Expresso, Marco Aurélio Pinheiro, que fica na avenida Tereza Cristina, conta que há 15 dias o preço do álcool não sobe. “Está a R$ 2,117 e não repasso para não perder clientes, mas ainda nesta semana, com certeza, vamos ter que subir”, esclarece ele.
Proprietário diz que já tem prejuízo
Em um outro posto que fica na avenida Tereza Cristina, no bairro Padre Eustáquio, o preço do álcool mantém-se em R$ 2,359 da semana passada para esta. “Não sei até quando e estou tendo prejuízo”, afirmou o proprietário que preferiu não ter o nome divulgado. Ele conta que não pode aumentar porque corre o risco de “não vender nada”. Há cerca de um mês, o volume de álcool vendido no estabelecimento era de 50% e hoje caiu para cerca de 20%.
“Meu preço de custo praticamente sobe toda quinta-feira”, conta o dono do estabelecimento. Ele comprou na distribuidora o álcool a R$ 2,11 o litro na semana passada e nessa, o preço já deve pular para R$ 2,1345. “Será que a explicação é só a chuva atípica”, questiona. (CD)
Câmara vota uso de diesel em carros leves nesta semana
A Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig) é uma das apoiadoras do manifesto de repúdio ao Projeto de Lei 1.013/2011, que libera a fabricação e a venda de carros de passeio a diesel no Brasil. O manifesto, organizado pelo Observatório do Clima, foi enviado ontem à comissão especial da Câmara que avalia o assunto e traz assinaturas de entidades representativas das energias renováveis, entidades de classe, cientistas especialistas em poluição do ar, dentre outros.
Após cinco anos de tramitação na Câmara – dois pareceres negativos em comissões técnicas e posicionamentos contrários de diversos setores empresariais e governamentais – vai à votação nesta semana, com chances de vitória, o projeto. Hoje, o Brasil só usa o combustível considerado altamente poluente em caminhões, ônibus e em carros comerciais leves.
Apesar das negativas, o tema voltou à pauta em 2015 na comissão especial criada pelo então presidente Eduardo Cunha. Se for aprovado, o projeto de lei vai direto para o Senado. (CD com agências)
Contra
Fabricantes. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é contrária à aprovação do uso do diesel em automóveis. Ela defende mais apoio ao álcool.