Com uma carreira política de 35 anos construída dentro do PMDB – quase 15 no comando do partido –, o advogado e professor de Direito Michel Miguel Elias Temer Lulia assume interinamente a presidência do Brasil em meio a uma turbulenta crise política. 
Filho de libaneses que migraram para o país na década de 1920, ele começou como oficial de gabinete de Ataliba Nogueira, secretário da Educação paulista, em 1964. Hoje, aos 75 anos, Temer enfrenta o maior desafio da trajetória dele. 
Considerado discreto e hábil negociador, é reconhecido por aliados e adversários como um grande articulador político de bastidores. Temer é também conhecido por ceder às pressões dos aliados. Prova disso foram as trocas de nomes escolhidos para integrar os ministérios, de acordo com as exigências dos líderes de partidos apoiadores do impeachment.
Flexível 

Lucas Azambuja, sociólogo e professor de Ciência Política do Ibmec, observa que é essa característica do presidente interino, a flexibilidade, que o ajudará a “buscar medidas que as circunstâncias exigem”. 
“A impressão que ele passa é de uma figura típica do PMDB, não tem receios. Ele também não é um sujeito inexperiente como a presidente Dilma na política, que é, basicamente, uma figura técnica. Não vai faltar habilidade para lidar com o jogo político”, analisou.
Segundo Azambuja, Temer não tem resistência a nenhum tipo de ideologia. Já Dilma demonstrou, por diversas vezes, resistência em fazer ajustes no governo. “Ele não tem grandes convicções ideológicas”.
Insatisfação
A história de Dilma e Temer começou com o até então vice-presidente exercendo apenas papel figurativo. 
Já na segunda fase do governo, em 7 de dezembro, cinco dias após Eduardo Cunha ter acolhido o pedido de impeachment da presidente, Temer surpreendeu o país com uma carta enviada a Dilma na qual se ressentia do tratamento que havia recebido ao longo dos cinco anos de governo e reclamando, inclusive, de uma suposta tentativa de desvalorizá-lo, por meio da demissão de aliados próximos.
O episódio azedou de vez a relação entre Dilma e Temer. No final de março deste ano, com o aval e a articulação do vice-presidente da República, o PMDB aprovou, por unanimidade, o rompimento com o governo federal, oficializando o divórcio político. 
*Com agências