Redes sociais ‘Diga-me o que postas e eu te direi quem és’

Pesquisa aponta que 44% dos recrutadores desclassificam candidatos por aspectos negativos nas redes

O Tempo

Cada vez mais, recrutadores de empresas analisam o perfil dos candidatos nas redes sociais

Muitas fotos na balada com amigos alcoolizados. Cinco posts seguidos desejando a morte de alguma autoridade política. Três fotos sensuais de biquini enviando um beijo para ‘azinimigas’. Você contrataria para trabalhar em sua empresa uma pessoa com essa atuação nas redes sociais? Provavelmente, não.
 
E não é só você. Uma pesquisa realizada pela Robert Half apontou que 44% dos recrutadores desclassificariam uma pessoa com aspectos negativos nas redes sociais durante o processo de seleção. “As redes sociais, muitas vezes, representam uma espécie de amostra sobre quem é aquela pessoa. Além do LinkedIn, é comum que as empresas também acessem o Instagram e o Facebook”, afirma Ghoeber Morales, terapeuta e coach comportamental.
 
Diante deste cenário, nada mais indicado para quem está tentando uma vaga no mercado de trabalho do que construir uma boa reputação nas redes. “Alguns posts são positivos, como aqueles que refletem o seu estilo de viver e as suas ideologias. Postagens em que você apareça exercendo sua profissão também são bem-vindas, assim como aquelas de cunho pessoal, pois são uma forma de mostrar algumas características e interesses que podem ser úteis para um recrutador começar a formar uma imagem sobre você”, comenta.
 
Delete
 
Mas o especialista alerta que qualquer tipo de exagero deve ser evitado quando o assunto é internet. “Uma avalanche de posts sobre a exposição que você visitou ou que mostra cada passo da sua viagem costumam ser vistos como chatos e excessivos. Além disso, fotos de cunho muito particular e íntimo, envolvendo momentos de extravagâncias, como em situações de excesso de bebida, devem ser completamente evitadas”, destaca Morales.
 
Falar de política também pode gerar discussões desnecessárias, principalmente diante do prenúncio de um impeachment que divide opiniões. “Mesmo que o intuito da postagem seja apenas fazer um posicionamento ou emitir uma opinião, isso pode trazer desdobramentos e  prejuízos. Possíveis recrutadores podem ter opiniões divergentes. A regra ‘na dúvida, melhor não postar’, é um bom direcionamento”, ressalta.
 
Autopromoção
 
Por outro lado, as redes sociais funcionam como uma espécie de vitrine. Quem sabe utilizar bem esta ferramenta pode conquistar uma projeção positiva. “Se você é bom em algo, tem confiança em seu desempenho e executa bem a sua profissão, qual o problema em mostrar isso às pessoas? O limite é tênue, pois o que é excesso para uns, não é para outros. Perguntar a alguns amigos pode ser um bom termômetro, mas a dica básica é que as postagens sejam diluídas e apareçam eventualmente”.
 
Segundo Morales, os profissionais liberais são os que mais podem se beneficiar das redes sociais. “Nesse caso, os ‘recrutadores’ são potencialmente todas as pessoas que seguem seu perfil. Portanto, estes profissionais podem deliberadamente fazer postagens pensando em como atender as necessidades de seus seguidores”, diz. 
 
No caso das pessoas que já trabalham em uma determinada empresa, o especialista recomenda evitar posts contrários à atuação da mesma. “A partir do momento que uma pessoa entra em uma empresa e sabe quais são os valores, a missão e a visão, o respeito deve ocorrer em todas as esferas”, frisa.
 
Estratégias para manter a postura
 
Para manter a linha nas redes sociais frente aos olhares das empresas, o executivo de vendas Wanderson Maia utiliza algumas técnicas. “Uma delas é adicionar os colegas de trabalho somente na rede de contatos profissionais, o LinkedIn”, conta. Segundo ele, como algumas empresas olham o Facebook, é preciso ter atenção. “Eu não adiciono todo mundo e não deixo meu perfil aberto. Uso a privacidade limitada a amigos. Ainda assim tem que manter um limite, pois a rede social é ampla, você acaba adicionando conhecidos, então tem que manter uma certa postura nas postagens”, afirma. 
 
Dicas de etiqueta nas redes:
 
1- Não fale da sua vida pessoal em redes profissionais como o LinkedIn;
2- Publique fotografias saudáveis e evite os registros de momentos muito íntimos, como de embriaguez e poses sensuais;
3-Faça posts interessantes para a sociedade e sobre coisas que você gosta;
4- Não faça postagens a cada cinco minutos falando sobre sua rotina;
5- Não reclame de empresas nas quais já trabalhou;
6- Exponha suas informações pessoais com limite. Nem tudo o que pensamos deve ser postado;
7- Evite grupos, comunidades e páginas de cunho racista ou que possam afastar o recrutador;
8- Evite fingir ser uma pessoa que não é e jamais minta no currículo. Você pode ser descoberto;
9- Siga as regras ortográficas;
10- Evite polêmicas.