Médica omite participação em crimes no Sion e é afastada de hospital

Rayder Santos Rodrigues e Fabiano Ferreira Moura foram mortos em 2010; apesar da condenação de 46 anos, mulher respondia em liberdade por ser ré primária

O Tempo

A médica Gabriela Corrêa da Costa, condenada a 46 anos pelos assassinatos de dois empresários no Sion, na região Centro-Sul de Belo Horizonte,em abril de 2010, foi afastada de um hospital da cidade de Poá, em São Paulo, na última semana. A suspensão no direito a trabalhar aconteceu após a profissional fazer declarações falsas, afirmando que nunca havia respondido a um processo criminal e nem praticou qualquer ato que desabonasse sua conduta moral.
De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura do município, em 2015, Gabriela passou em 6º lugar para uma vaga de clínico geral plantonista. O concurso foi homologado em 22 de fevereiro deste ano.
A médica apresentou vários documentos após a prova e não foi constatado nenhum impedimento. Porém, funcionários perceberam indícios de irregularidade nas informações prestadas.
Ao consultar o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e alguns fóruns do Estado, a equipe da Prefeitura de Poá descobriu que a médica havia sido condenada em 1ª Instância. Sendo assim, o município entendeu que, mesmo com os documentos verdadeiros, a declaração dada por ela por escrito na posse é falsa.
Gabriela chegou a trabalhar no plantão do dia 15 de maio no Hospital Municipal Doutor Guido Guida. Ela foi afastada na última quinta-feira (19). Ainda segundo a prefeitura, um processo disciplinar administrativo foi aberto. Ele tem duração de 60 dias, podendo ser prorrogado por mais 60. Enquanto isso, a médica fica impedida de realizar suas atividades.
A reportagem de O TEMPO fez contato no escritório de advocacia que defendia a mulher na época da sua condenação, mas foi informada que o advogado José Arthur Kalil não trabalha mais para a médica.